Blog da Igreja Presbiteriana Independente da Lapa. Visite-nos! Será bem vindo! Rua Domingos Rodrigues, 306 - Lapa
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Sopa, sabão e salvação*
Eram
25 moças e rapazes, todos universitários. Eles saíram de Viçosa, MG, e
viajaram 2.030 quilômetros, até chegar à cidade de Coronel José Dias, um
dos municípios mais carentes do Brasil, na região sudeste do Piauí,
onde fica o Parque Nacional da Serra da Capivara. Nos dez dias passados
nos povoados de São Pedro e Santa Luzia, os jovens distribuíram entre os
habitantes (42% deles, analfabetos) brinquedos, kits com pastas,
escovas de dente e sabonetes, utensílios domésticos, roupas e calçados.Se a notícia se limitasse ao parágrafo anterior, os leitores mais críticos se indignariam com tamanho assistencialismo, tão comum em muitas obras sociais. Porém, a caravana universitária fez muito mais do que isso. Além de distribuir livros didáticos, revistas e livros de conteúdo cristão, folhetos evangélicos, Novos Testamentos e Bíblias, o grupo de estudantes, o médico e a técnica em enfermagem que os acompanharam desenvolveram um amplo trabalho, dentro da estratégia chamada missão integral. Eles fizeram atendimentos médicos, pequenas cirurgias, palestras nas escolas públicas sobre variados assuntos (saúde bucal, aleitamento materno, o meio ambiente, e até sobre relacionamento familiar), cortes de cabelo, medições de pressão arterial e ofereceram diversas oficinas (como construir caixas d’água com ferro e cimento, como fazer irrigação por gotejamento, como pintar casas com tinta de argila, como reciclar papéis, como produzir mel de abelha e como fazer artesanato).
Se a notícia terminasse aqui, os leitores mais apaixonados pelo anúncio das boas novas da salvação ficariam decepcionados. Porém, por meio da música, do teatro, de fantoches, de palestras, de projeção de filmes e de visitação, os jovens evangélicos da Universidade Federal de Viçosa falaram de Jesus. Para melhor integração com a comunidade local, fizeram várias visitas aos lares e não menos que 334 pessoas assistiram às duas projeções do filme Jesus que fizeram.
Tudo isso foi feito durante a viagem do Projeto Água Viva (PROAV) ao município de Coronel José Dias. Esta não foi a primeira nem será a última viagem do projeto. Fundado em 2002, o PROAV já realizou seis viagens missionárias ao Nordeste, duas ao Sergipe e quatro ao Piauí, totalizando quinze municípios e comunidades alcançados. Antes da viagem cada equipe recebe um treinamento que dura em média quatro meses. Os participantes são alunos de diferentes cursos da Universidade Federal de Viçosa e membros de diferentes denominações evangélicas.
Diversos voluntários contribuem para o preparo das equipes. Já foram treinados 150 universitários. O trabalho não é feito de maneira isolada, mas de comum acordo com alguma denominação que já opera na região a ser alcançada ou nas proximidades dela. Nas duas primeiras viagens, o PROAV trabalhou em parceria com os presbiterianos, e nas demais, com a Missão Suíça, que tem doze missionários nos estados do Maranhão, Piauí e Pará. A missão, por sua vez, tem parceria com a Associação das Igrejas Cristãs Evangélicas do Brasil (AICEB). Algumas igrejas têm sido plantadas como resultado desse ministério. Pinturas de templos e casas pastorais, projetos arquitetônicos de templos e pelo menos o início da construção deles, são outros feitos desse esforço missionário. No povoado de Curralinho, SE, o PROAV chegou a elaborar o projeto e a construção de uma praça pública, graças a uma ajuda substanciosa do Projeto Sertão.
O PROAV foi organizado pelo casal Elíbia e João Tinoco, ex-alunos do Centro Evangélico de Missões (CEM), em Viçosa, MG. Tinoco, 57, é professor de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Viçosa. Convertido ao evangelho em 1998, sentiu-se vocacionado para o ministério. Fez o curso de especialização em teologia para graduados no Seminário Presbiteriano de Campinas, foi licenciado pelo Presbitério Zona da Mata Norte, ordenado ao ministério pelo Presbitério Centenário de Belo Horizonte e nomeado pastor auxiliar da Terceira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte. Por ser maranhense e conhecer muito bem a carência material e espiritual do Nordeste, Tinoco criou o PROAV, tendo em vista a evangelização desta região brasileira. Elíbia Maria vem de uma tradicional família presbiteriana de Pancas, ES, e é uma das primeiras missionárias a se formar no CEM.
(Para mais informações, acesse www.projetoaguaviva.com.br).
Nota
*Expressão que define o ministério do Exército de Salvação, fundado por William Booth na Inglaterra em 1865, uma das primeiras manifestações da missão integral (os miseráveis dos cortiços de Londres precisavam de comida, saúde e perdão de pecados).
sábado, 7 de janeiro de 2012
Discípulos do amor

No andar de cima, encontro o ensinamento de Jesus e de seus apóstolos, inspiradores e desafiadores. Nesse âmbito, ouço Jesus dizer que seremos reconhecidos como seus discípulos se tivermos amor uns pelos outros (Jo 13.35); ouço Paulo orar por nós, para que, pela fé, tenhamos raízes e alicerces no amor (Ef 3.17); ou então João, a dizer que aquele que não ama não sabe nada de Deus (1Jo 4).
No andar de baixo, encontro o desafio da prática desse mandamento de Jesus, acrescido do entendimento apostólico de que fazer discípulos significa também ensinar a amar (Mt 28.19). Nas palavras de René Padilla: “Efetivamente, a experiência do amor de Cristo, que segundo Paulo ‘excede todo entendimento’, só é possível ‘com todos os santos’. Só é possível na igreja, ‘a família de Deus’, onde os discípulos aprendem a amar...”.
O discípulo de Cristo precisa conhecer o que seu mestre espera dele. Para isso, observa as palavras e atitudes do mestre. Considera o que os apóstolos ensinaram e como eles vivenciaram o ensino e o exemplo que Cristo lhes deu. Por outro lado, o “discípulo do amor” precisa manifestar em sua vida comunitária esse sinal, essa marca da nova vida que recebeu do Espírito Santo.
Eis o desafio dialético: precisamos aprender e ensinar a amar -- nos dois andares! Não basta abrir a Bíblia e aprender sobre o amor. O ensino fica incompleto. É preciso coerência com o térreo, com a “ortopraxia”: a prática correta; uma escada ligando os dois andares.
Surge, assim, a questão inevitável: como se aprende a amar? Minha resposta: no andar de cima, obedecendo; ou seja, sem considerar as emoções (se gosta ou não). Apenas amando: abençoando, fazendo o bem, permitindo o bem, ensejando o bem a amigos e a inimigos. Já no andar de baixo, aprende-se a amar “sendo amado”. Sim, é uma dimensão passiva da pedagogia divina. É aqui, me parece, que a experiência do amor de Cristo “excede todo entendimento”. É onde aprendo sobre a graça e o afeto, sobre a segurança que o amor de Deus traz, sobre a incrível sensação de ser amado, apesar de ser conhecido como realmente sou.
Que conflito! Meu maior “sonho” é ao mesmo tempo meu maior “temor: ser conhecido”. Na transparência (que advém da proximidade e que permite a comunhão) posso encontrar descanso e paz. Entretanto, posso encontrar, também, rejeição. O temor é que, quando descobrirem meus defeitos, passem a me odiar.
Porém, João nos exorta a, pela fé, vencermos nossos medos e aprendermos, com sabedoria e oração, a “andar na luz”. As palavras que ele usa para “luz” são: verdade, confissão, perdão e purificação (1Jo 1.1-10).
-- Transparência? Confessar tudo? Na minha igreja? Me colocam na rua! Talvez nos falte um pouco do andar de baixo.
Procuram-se “mestres do amor”: gente que aprendeu a amar porque foi muito amada -- apesar do seu pecado. Incondicionalmente, portanto. Oferecem-se “discípulos do amor”: gente desconfiada, que não crê mais nisso -- mas que está disposta a tentar uma última vez.
Nota
1. A formação de discípulos, Ultimato, janeiro/fevereiro de 2011.
• Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Fábrica de Missionários -- nem leigos, nem santos.
ruben@amorese.com.br
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
A repressão do Natal
Poderão
achar estranho o título, e quando souberem que sou psicanalista, dirão
que não sei falar de outra coisa. Bem, meus olhos foram treinados para
procurar por sinais de repressão, assim como os da arqueóloga buscam
sinais de civilizações soterradas. Mas o que isso tem a ver com o Natal?
Bastante, pois há muito tempo o significado cristão do Natal tem sido
soterrado por camadas de outros badulaques.domingo, 4 de dezembro de 2011
Jesus -- um megalomaníaco?
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
AMPLA GRATIDÃO
A forma mais sincera de gratidão é fazer uso completo das coisas pelas quais temos sido abençoados. Jack Mills
Com certa frequencia você tem ouvido dizer que tudo aquilo que você focaliza, isso passa a crescer. Basta examinar a sua própria experiência de vida e você terá essa confirmação. Talvez a mais poderosa e acessível maneira de focalizar no positivo seria através da gratidão.
Não limite a sua gratidão. Seja grato não apenas por aquilo que brilha reluzente, pelo novo, fácil, amplo, feliz, coisas deliciosas mas também por aquelas coisas que aparentemente, - a princípio – não ter a forma de bençãos. Busque uma maneira por ser grato mesmo em meio a dificuldades. A razão para isto é porque em cada uma delas sempre haverá algo de positivo.
Ser grato, desenvolver gratidão em primeiro lugar a Deus, o Criador e fonte de tudo que há de bom lhe capacita a se conectar com os aspectos positivos de toda e qualquer situação. Busque realmente uma maneira de ser grato por absolutamente tudo e você irá descobrir valores e abundância em todas as direções.
Nélio DaSilva
Para Meditação:
...em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. I Tessalonicenses 4:18
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
A missão de Jesus e a nossa missão
Colunas — Missão integral
Setembro-Outubro
A missão de Jesus e a nossa missão
O
ponto de partida mais apropriado para entender a natureza da missão que
Deus nos delegou como igreja é a missão que, segundo os quatro
evangelhos, Jesus Cristo levou a cabo durante seu ministério terreno.
Quais foram suas prioridades? Qual foi sua mensagem? Que elementos
incluiu em sua missão? Qual foi sua motivação? As respostas a estas
perguntas nos ajudarão a entender um fato fundamental da eclesiologia e
missiologia bíblicas: sem desconhecer ou minimizar as grandes diferenças
de tempo e espaço entre nós e Jesus, a igreja é chamada a continuar a
missão do Senhor ao longo da história até que ele volte. Em termos
gerais, o propósito de Deus é que a igreja se constitua em uma
comunidade de testemunhas de Jesus Cristo. Isto, no entanto, significa
muito mais do que “dar testemunho” verbal sobre ele; significa ser e
viver como ele. A missão da igreja é inseparável da missão de seu Senhor
não só porque a igreja pertence a ele, mas também porque a vocação da
igreja é que a Palavra que no primeiro século se fez carne e viveu entre
nós (Jo 1.14) continue manifestando sua presença na sociedade no século
21 por meio dela.De todas as descrições de Jesus Cristo no Novo Testamento, nenhuma comunica com tanta força a natureza de sua missão como a descrição dele como “servo”, ou “escravo” (“doulos”). Em Marcos 10.45, ele disse sobre si mesmo: “o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. Tal descrição combina duas figuras do Antigo Testamento: o glorioso Filho do homem de Daniel 7, que vem entre as nuvens do céu para estabelecer seu domínio eterno sobre todos os povos, nações e línguas, e o Servo sofredor do cântico de Isaías 53, que oferece sua vida em expiação para justificar a muitos. Este admirável paradoxo é uma maneira de afirmar que Jesus veio para estabelecer seu reinado universal tendo como base o seu próprio sacrifício pelos pecadores, ou seja, como “o Cristo crucificado” (1Co 1.23; 2.2).
É claro que o sacrifício de Cristo -- um sacrifício de eficácia redentora -- nunca poderá ser repetido. Como afirma o autor da carta aos Hebreus, em virtude da vontade de Deus, “temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (10.10). No entanto, o Novo Testamento provê uma base sólida para afirmar que nós, os seguidores de Cristo, somos chamados a reproduzir em nossa própria experiência o mesmo tipo de entrega, inspirada pelo amor, que o levou à cruz. Nas palavras do apóstolo João: “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1Jo 3.16).
Para o apóstolo Paulo é clara a relação entre a entrega de Jesus Cristo na cruz e sua própria experiência como missionário. Nessa direção aponta um texto cuja interpretação sempre motivou muita reflexão entre os estudiosos: “Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24). Não se trata de que Paulo considere que os sofrimentos de Cristo tenham sido insuficientes para cumprir cabalmente seu propósito redentor. Trata-se, na verdade, de que o apóstolo considera que seu próprio sofrimento torna possível que a igreja chegue a ser o que Deus se propôs a fazer dela e ser aquilo pelo que Jesus Cristo deu sua vida. Se a igreja quer ser fiel ao seu chamado de prolongar a missão de Jesus Cristo ao longo da história, toda ela e, mais ainda, seus líderes, não podem esquivar-se do sacrifício que implica seguir o caminho de Jesus como o Servo sofredor do Senhor.
Traduzido por Wagner Guimarães
• C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que É Missão Integral?.