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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Você precisa ser curado...

revista / edicao 312 / voce-precisa-ser-curado

De sua ansiedade, aquela preocupação demasiada com o dia de amanhã, com a subsistência, com a segurança, com o peso, com a beleza, com as coisas a fazer, com a mudança de tempo, com as coisas e com outros.

De seu ciúme doentio, aquela insegurança que faz você imaginar mil coisas que ainda não estão acontecendo mas que poderão acontecer por sua própria culpa.

De seu desânimo, aquela falta de coragem crônica para enfrentar os dias difíceis, as circunstâncias difíceis, os empreendimentos difíceis e as pessoas difíceis.

De seu desespero sexual, aquela fome e sede de sexo como se este fosse o único prazer da vida, que provoca uma corrida vã a qualquer tipo de relacionamento, com qualquer pessoa e em qualquer tempo e lugar.

De seu egocentrismo, aquela aberração de amar excessivamente a si mesmo e de ocupar sozinho o lugar que deveria ser repartido com os outros.

De seu estilo consumista, aquele prazer incontido de comprar o útil e o inútil, o que não tem e o que tem, aquela concepção errônea e desastrosa de que a felicidade gira em torno do ter, e não do ser, aquela simplicidade frente ao marketing.

De seu gênio explosivo, aquele temperamento sempre briguento, impetuoso, amargo, quase sempre desprovido de razão, que provoca o afastamento de parentes, amigos e conhecidos.

De sua hesitação, aquela atitude que não leva a nada, não o coloca em marcha, não movimenta suas mãos nem seus pés e ainda impede que você fale alguma coisa.

De sua hipocondria, aquela obsessão com a saúde que promove uma corrida constante ao médico e à farmácia e que até contribui para você adoecer.

De sua hipocrisia, aquela arte de enganar os outros, aquele esforço de esconder a verdadeira identidade simulando outra que não existe, aquele pecado de lavar apenas o exterior do copo.

De sua incredulidade, aquela indisposição para crer na proximidade e na provisão de Deus, que o afasta dele e o impede de enxergar seu amor, seu poder e sua glória.

De seu sentimento de inferioridade, aquela impressão forte, ou até mesmo a certeza, de que você está sendo superado pelos outros, principalmente pelas pessoas mais próximas, provocado por sua auto-avaliação exageradamente negativa.

De sua intolerância, aquele apego demasiado às suas próprias idéias e às suas próprias crenças, associado com certa dose de soberba e despido de qualquer dose de amor.

De sua inveja, aquele desgosto e pesar pelo sucesso ou felicidade dos outros, que provoca o desejo violento de possuir o que o próximo tem, e que rouba sua paz de espírito.

De sua mania de perseguição, aquela certeza infundada de que alguém deseja o seu mal e está trabalhando incansavelmente nesse sentido.

De seu medo, aquele estado de espírito que aumenta e exagera a sensação de perigo, sufocando a vontade e a disposição de fazer algo.

De sua preguiça, aquela continuada aversão ao trabalho, ou a morosidade com a qual você o realiza, justificando-a com mil desculpas sem a menor procedência.

De sua procrastinação, aquela tendência a adiar indefinidamente e sem razão justificável o que deve ser feito hoje, com o risco de perder para sempre as oportunidades que passam e não voltam.

De sua rabugice, aquele mau humor permanente, que faz mal a você e aos que o cercam.

De seu sentimento de superioridade, aquela impressão forte ou até mesmo certeza de que você é o máximo, provocado por uma auto-avaliação exageradamente positiva.

De sua timidez, aquela qualidade negativa que mistura o temor, o acanhamento e a fraqueza, e que o leva a evitar novos encontros e novas experiências.

De seus queixumes, aquele hábito de não enxergar beleza em pessoa alguma e em lugar algum, de colecionar somente as coisas ruins da vida e de reclamar contra elas o tempo todo.

De sua tristeza, aquela entrega sinistra e passiva aos problemas reais, aos problemas de gravidade exagerada e aos problemas inexistentes, uma estranha aversão à alegria.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Medo


Áquila Mazzinghy
 
Sou um medroso de carteirinha. Tenho medo do futuro, medo do desemprego, medo de não me destacar no mercado de trabalho, medo de não ter dinheiro, medo de ter câncer, medo da violência, medo de descobrir no futuro que perdi muito tempo com coisas sem valor, medo de não saber qual é a missão de Deus para mim, e, pior, de não cumpri-la. Talvez você também tenha algum medo. Medo de não passar no vestibular, de não casar e ficar para titio ou titia. Medo de não ter dinheiro e, ou, de não conseguir concluir a faculdade. Medo de não conseguir uma boa residência, para os que estudam medicina, ou de não passar na OAB, para os que fazem direito. Medo de não ser feliz.
 
O medo nem sempre é ruim. Os especialistas dizem que o medo é um sentimento natural, uma reação do corpo às ameaças externas que deixam nosso cérebro em alerta. Os psicólogos afirmam que o medo também ajuda a manter o foco em situações delicadas e a não tomar decisões precipitadas, além de incutir na mente a necessidade de mais preparação, estudo e dedicação para vencer os desafios e cobranças da vida.  O problema é que o medo tem uma irmã gêmea, a ansiedade. As unhas roídas, o coração acelerado e as mãos úmidas “evoluem” para pernas inquietas que tremem o tempo todo, dores e angústia no peito, boca seca, dores mandibulares, insônia e problemas alimentares.
 
Algo que tem ajudado o meu coração jovem a controlar a ansiedade é tentar identificar quais são os meus medos e, assim, não permitir que a ansiedade seja uma constante na rotina. Nesse processo, eu costumo dividir o medo em duas categorias: medo do controlável e medo do incontrolável. Há certas situações na vida em que, embora sintamos medo ou insegurança, é possível ter certa margem de controle, na medida em que tal medo nos retira da zona de conforto e nos leva à ação. No caso do medo do competitivo mercado de trabalho, por exemplo, posso me atualizar, aprender um novo idioma, buscar uma especialização, fazer uma pós-graduação ou me inscrever em um programa de intercâmbio. Para discernir a melhor opção nesse momento, vale aceitar o convite de Jesus de apresentar a ele todos os planos, por meio da oração e ações de graças, e permitir que a sua paz seja o guia em nosso coração e em nossa mente.
 
O medo daquilo que não podemos controlar é terrível. Ficamos anestesiados nas situações em que a roda viva chega e leva para lá as roseiras que cultivamos há anos. Como o cancioneiro, descobrimos que certas coisas, como a morte ou uma doença grave, não pedem licença, não têm nem tempo, nem piedade, nem hora de chegar. São tempos de esperas e de perdas que colocam em xeque a impressão de que tudo na vida pode ser previsto e controlado. Aqui também há um convite de Jesus, talvez o mais difícil: descansar nele e entender que tudo coopera para o bem dos que amam a Deus. Cooperar para o bem é cooperar para ter o caráter de Cristo e pensar como ele pensava, amar como ele amava. Se eu amo a Deus, tanto as coisas boas quanto as ruins cooperam para que minha vida reflita a dele. Fartura ou escassez, saúde ou doença, tudo, absolutamente tudo coopera para que eu me aproxime de Jesus e perceba que sem ele minha vida não tem sentido. 
 
Áquila Mazzinghy, 28 anos, é professor de direito internacional e direitos humanos em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Velho.