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quarta-feira, 10 de abril de 2013

O PRIMEIRO MANDAMENTO

O PRIMEIRO MANDAMENTO


Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20.3)

Este primeiro mandamento diz respeito a Deus a quem adoramos.

A expressão “ outros deuses” não se refere necessáriamente a um ícone, estátua, ídolo de bronze,ouro,barro,prata ou a uma representação totêmica.

Qualquer coisa que receber nosso interesse máximo é nosso deus.

Os esportes podem ser o deus de alguém. O trabalho. O dinheiro. O sexo pode ser o deus de algumas pessoas, enquanto as viagens podem ser o de outras.

Mas o nosso interesse máximo deveria concentrar-se em Deus. Somente Ele é digno de nossa adoração. Jesus disse que o grande mandamento era amar a Deus de todo o coração, alma, mente e forças. Se conseguirmos fazer isso, estaremos demonstrando que não temos outro deus além do Senhor.( texto de Billy Grahan).



Conheça mais a Deus lendo a Bíblia.


 

Extraído do Boletim n.o 203 da IPI da Lapa de 11/09/2011.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Diálogo e convívio


Juan Michel/CMI

CELEBRAÇÃO: Ato litúrgico interconfessional para comemorar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos na sede do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra/Suíça 
"Dialogar com pessoas de outra religião não é bíblico. Por isso um cristão não deve perder tempo com o diálogo inter-religioso. Além disso, é muito perigoso, pois eu posso perder a minha fé em Jesus Cristo.” Esse é um pensamento que circula em muitos ambientes cristãos.

Vamos conferir na Bíblia. No Antigo Testamento, temos o credo básico do povo de Israel: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa de servidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20.1-3). A exclusividade de Deus não é motivo para os israelitas não conviverem pacificamente com pessoas de outras religiões. Exemplo para essa convivência é o acordo dialogal pacífico entre Abrão e o rei Melquisedeque em Gênesis 14.18-24.

Na história de Israel, marcada por guerras com povos vizinhos, muitas leis exigiam que os israelitas deviam conviver pacificamente com estrangeiros. Exemplos: deviam dar alimento aos estrangeiros (Deuteronômio 14.21; 24.19-21), não aborrecê-los (Deuteronômio 23.9) e não oprimi-los (Êxodo 23.9). Portanto, há o aspecto universal na fé dos israelitas e, ao mesmo tempo, uma compreensão exclusiva de Deus. Essa tensão também existe no Novo Testamento. A exclusividade está expressa nas palavras de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Então um cristão não deve dialogar com pessoas de outras religiões?

Jesus foi educado no judaísmo e sabia que “é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se de alguém de outra raça” (Atos dos Apóstolos 10.28). Mas uma mulher de outra cultura religiosa aproximou-se dele e implorou: “Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada” (Mateus 15.22). Seus discípulos disseram a ele: “Mande essa mulher embora!”.

Ante a insistência dela, Jesus rompeu a barreira cultural religiosa judaica e falou com a mulher. Ele se justificou dizendo que se entendia como enviado exclusivamente para o povo de Israel e por isso não fora enviado para ter compaixão com a mulher desesperada e sua filha doente. Por sua grande confiança em Jesus, a mulher não se deu por vencida e insistiu. “Então lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres.” E Jesus curou a filha (Mateus 15.21-28).

A compreensão exclusivista de sua missão caiu por terra, e ele incluiu pessoas de outra cultura religiosa em sua compaixão. Assim Jesus também curou o filho de um dos comandantes militares romanos (Mateus 8.5-13) e elogiou a atitude de um samaritano (Lucas 10.29-37). O ápice da compaixão de Jesus por todas as pessoas aconteceu em sua paixão, morte e ressurreição pela humanidade.

E quanto aos seguidores de Cristo? O apóstolo Pedro seguia à risca a proibição de não falar com pessoas de outra cultura religiosa. Porém, graças a uma “visão” e a um diálogo com o centurião romano Cornélio, Pedro mudou radicalmente de opinião: “Deus me demonstrou que eu a nenhum homem considerasse comum ou imundo” (Atos 10.28). Depois dessa “conversão”, Pedro afirmou: “Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo é aceitável a Deus” (Atos 10. 34s).

Os evangélicos de confissão luterana afirmaram em 1530, na Confissão de Augsburgo, que “o Espírito Santo age onde e quando lhe apraz” (João 3.8). É uma confissão não apenas luterana, mas cristã. Ela considera a ubiquidade e a onipresença de Deus. Deus está presente e agindo através do Espírito Santo no diálogo inter-religioso. Conheci nos últimos anos militantes muçulmanos e cristãos que incitavam seus concidadãos a participar de conflitos armados. Mas, a partir do diálogo e da leitura da Bíblia e do Alcorão, encontraram o caminho da reconciliação e hoje promovem a convivência pacífica inter-religiosa. As experiências de Jesus, de Pedro e de tantos outros convidam a conviver e dialogar com pessoas de outras religiões.

* O autor é teólogo, professor e pastor emérito da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em São Leopoldo (RS)

Fonte: Ingo Wulfhorst *

extraído: www.novolhar.com.br