Na
última segunda-feira, 19, o mundo recebeu a notícia da morte de Kim
Jong-Il, ditador do país que ocupa, há mais de 10 anos, a primeira
posição da lista de Classificação de Países por Perseguição da Portas Abertas.
Em uma transmissão especial, a emissora oficial informou que Kim morreu
às 8h30 hora local (21h30 de sexta-feira em Brasília) durante uma
viagem de trem, vítima de um "problema cardíaco" devido a uma "grande
tensão física e mental".
Kim Jong-Il governou a Coreia do
Norte desde 1994, mas o governo do país foi passado para suas mãos por
seu pai, Kim Il-Sung, que governou o país desde os anos setenta e o
colocou sob ditadura.
O sucessor do ditador será seu
filho, Kim Jong-Un, que tem cerca de 30 anos de idade e que já havia
consolidado sua posição como futuro líder da Coreia do Norte em setembro
do ano passado, quando foi nomeado publicamente general de quatro
estrelas e vice-presidente da Comissão Militar Central do Partido dos
Trabalhadores.
Segunda a Agência Estado, a Coreia do Norte
saudou hoje (25/12) Kim Jong-un como “supremo comandante” do Exército,
no mais recente sinal de que o inexperiente filho do ex-ditador Kim
Jong-Il está consolidando seu poder. Analistas afirmam que a medida
indica que Pyongyang deve continuar com sua política de manter as forças
armadas no comando (Songun).
“Nós vamos apoiar o
companheiro Kim Jong-Un como nosso supremo comandante e general e nós
vamos levar a revolução Songun a uma conclusão”, diz um editorial
publicado pelo jornal Rodong Sinmun, do governante Partido Comunista.
O
periódico cobrou que Kim leve a Coreia do Norte à “vitória eterna”. É a
primeira vez que um órgão oficial usa o termo “supremo comandante” -
posto anteriormente ocupado por seu pai - para o novo líder, que já é um
general de quatro estrelas, apesar de ter menos de 30 anos.
A
Portas Abertas ouviu vários refugiados norte coreanos e há um misto de
sentimentos entre eles. “Lembro-me de estar de pé para a sua estátua de
pedra e não sentir nada”, disse um dos refugiados da Portas Abertas
sobre o que sentiu quando Kim Sung-Il, pai de Kim Jong Il faleceu.
“Tivemos que chorar pela morte dele senão seríamos punidos. Eu tive que
me machucar para poder chorar. Eu ainda acho que as pessoas que estão
chorando por Kim Jong Il estão fingindo”, disse ele.
Outro
refugiado explicou como ouviu a notícia: “Alguém me chamou para ver o
noticiário e vi que ele tinha morrido. Senti-me estranho. Eu sempre
esperei por esse dia, pois pensava que ficaria feliz com a morte dele.
Como cristão, eu devo amar os meus inimigos, mas eu sempre quis ver Kim
Jong Il morto. Isso é um fardo pra mim.”
Após ver a
notícia, ele recebeu algumas mensagens e telefonemas de outros
refugiados. Um disse: “Em breve o país será unificado, oremos.”. Outro
estava com medo de que uma guerra possa estar prestes a acontecer no
país. E outro disse que desejava ver Jong Il morto como foi com o líder
líbio Muammar Kadhafi.
“Estou feliz por não ter que chorar
a morte dele”, continuou ele. “Alguns pode estar fingindo estar
tristes, mas outros realmente ficaram tristes, pois tratavam Kim Jong Il
era realmente um deus, assim como eu acreditava.”
O
refugiado continuou dizendo: “Ainda acredito na reunificação das
Coreias. Deus não esqueceu as orações dos cristãos de dentro e de fora
da Coreia. Um dia, a Coreia estará pronta para se unir novamente.”
Um
terceiro refugiado disse: “Kim Jong Il realmente morreu? Eu não estou
triste com isso. Como posso ficar triste com a morte de alguém que fez
coisas horríveis comigo e com minha família. Estou preocupado com o
futuro do país, pode é possível que exista uma grande disputa pelo
poder.”
Certamente há uma tensão entre os cerca de 400 mil
cristãos do país. Mas não acredito que a maioria deles, principalmente
os cerca de 50 mil que estão em campos de trabalhos forçados, estão
completamente conscientes dos últimos acontecimentos. Não se pode
esquecer que não há imprensa livre no país, a maioria das informações
são transmitidas pela imprensa oficial que apoia em 100% o regime. A
Portas Abertas tem mantido contato com refugiados e procurado obter
informações sobre nossos irmãos, mas ainda são muito poucas.
Não
há esperanças de melhora da situação de liberdade no país no curto
prazo, talvez haja até uma piora já que o novo ditador deverá promover
ações para demonstrar seu poder.
Kim Jong-il está morto, seu
filho e todos seus auxiliares também morrerão. Ainda que se
auto-proclamem deus, serão apenas homens. Nós que adoramos o Deus que se
encarnou, morreu e teve o poder sobre a morte, Jesus o Cristo,
acreditamos no poder eterno e na consolação do Espírito Santo sobre os
irmãos e irmãs que vivem na Coreia do Norte. Não importa o que aconteça
lá, devemos manter o mesmo espírito por aqui. “Se um membro do corpo
sofre, todos sofrem com ele”.
15 de Abril de 2012: Dia global de jejum e oração pela Coreia do Norte
Anos
atrás, a Coreia do Norte anunciou que em 2012 o país seria uma "forte e
próspera" nação. 15 de abril de 2012 será comemorado o 100 º
aniversário do nascimento do Grande Líder, Kim Il-Sung (que morreu em
1994). Em 2012, a Coreia do Norte deve ter superado as dificuldades
econômicas dos últimos 20 anos. A economia em todos os setores deve
voltar aos níveis que tinham no final de 1980. A realidade é que a
Coreia do Norte não atingiu os objetivos, longe disso. Não só há fome
crônica com pessoas vivendo com ração diária como ainda existem centenas
de milhares de pessoas detidas em prisões e campos de trabalho forçado.
Os cristãos ainda são ferozmente perseguidos. Apesar desta realidade, é
provável que a Coreia do Norte celebre o nascimento de Kim Il-Sung com
grandes festividades e consumindo recursos caros para a sociedade. A
Portas Abertas irá conclamar um dia global de jejum e oração pela Igreja
na Coreia do Norte. Será em 15 de abril de 2012.
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