Já chega de medo! O
medo não me deixa ir para frente. Obriga-me a retroceder. Leva-me a enxergar a
terra e não o céu, os gigantes de Canaã e não a abertura do mar Vermelho, as
minhocas e não as aves do céu. Atravanca a minha vontade, os meus projetos, os
meus sonhos. Coloca-me numa prisão. Faz-me desperdiçar o tempo, a energia, as
oportunidades. O medo me torna indeciso e vacilante o tempo todo. Não vou mais
mentir para mim: eu sou medroso, eu sou viciado no medo. Não posso continuar
assim. De hoje em diante, com a ajuda de Deus, proclamarei e viverei a minha
independência do medo. Vou parar de fingir coragem. O lugar do lixo é o lixo, o
lugar do medo é o inferno!
Quando digo “sou cauteloso”, deveria
dizer “sou medroso”. Tenho usado a palavra “cautela” para esconder a palavra
“medo”. As duas nunca foram sinônimas. Farei a necessária distinção entre uma e
outra.
Não sei por que sou medroso, se a
Bíblia que eu leio todos os dias repudia o medo. A todo momento encontro o
mandamento para não ter medo. O anjo disse a Maria: “Não tenha medo” (Lc 1.30)
e aos estupefatos pastores de Belém: “Não tenham medo” (Lc 2.10). Jesus disse
ao pai da menina de 12 anos que estava entre a vida e a morte: “Não tenha medo”
(Lc 8.50); aos discípulos que estavam tremendo de medo da tempestade marítima:
“Não tenham medo” (Mt 14.27); aos três apóstolos que estavam com ele no monte
da transfiguração: “Não tenham medo” (Mt 17.7); e às mulheres da Galiléia no
jardim de José de Arimatéia: “Não tenham medo” (Mt 28.10). Pelo menos duas
vezes, Deus fala com Paulo: “Não tenha medo” (At 18.9; 27.24). Deus disse a
João na ilha de Patmos: “Não tenha medo” (Ap 1.17).
Porém a passagem que mais me intriga
está na Primeira Epístola de João. É um sermão e tanto: “No amor não há medo; o
amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo” (1Jo 4.18). Chego à conclusão
de que se sinto medo não tenho no coração o amor totalmente verdadeiro.
Verifico que eu tenho uma coisa que não deveria ter -- medo -- e não tenho a
outra que deveria ter -- amor. Mas Deus há de arrancar o medo de dentro de mim!
É algo incrível. Se olho para o
Antigo Testamento, a exortação continua. Ao povo de Israel, ainda na travessia
do deserto, frente aos possíveis inimigos, Moisés disse: “Não se assustem, não
se apavorem, não fiquem com medo, pois o Senhor, nosso Deus, está com vocês
para lutar ao seu lado e salvá-los do inimigo” (Dt 20.3-4).
Para livrar-me para sempre do medo,
pretendo ligá-lo à oração, isto é, em vez de me amedrontar com situações reais
ou não, me colocarei de joelhos para superar o medo e pedir o socorro do
Senhor, como fez o rei Josafá (2Cr 20.3).
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