domingo, 9 de setembro de 2012

SOMOS DE DEUS

por Giovanni Alecrim


Povo de Deus. Uma expressão conhecida no meio cristão, usada para designar quem pertence a uma Igreja. Não é difícil encontrarmos pregadores e pessoas referindo-se ao povo de Deus como sendo os membros de uma comunidade de fé.


Hoje, quero conversar com vocês sobre ser povo de Deus. Quero mostrar a vocês que nós precisamos reconhecer que pertencemos sim a Deus e que somos seus servos, chamados para sermos santos diante de uma sociedade cada dia mais corrompida. Convido você a acompanhar a leitura que farei, na Tradução Contemporânea, do Salmo 24. Ouça atentamente o que diz a Palavra de Deus.


O salmo 24 era usado no culto em Israel. Era cantado pelas pessoas que chegavam a Jerusalém para adorar a Deus. Quero meditar com vocês hoje sobre os versos deste salmo.


O mundo pertence a Deus. Ele é o dono de tudo o que vemos. Ele criou todas as coisas. Olhe ao seu redor nesse instante e você verá mais de uma obra das mãos de Deus.


Reconhecendo-nos como propriedade de Deus. Nós pertencemos a Deus. Talvez você já tenha ouvido esta afirmação mais de uma vez, e talvez se referindo ao fato de você pertencer a Igreja. Eu quero ampliar este conceito. A humanidade pertence a Deus. Até mesmo aquela pessoa que você julga ser a mais errada na face da terra pertence a Deus.
O que o salmo 24 exalta é justamente o fato das pessoas que estão nos caminhos do Senhor seguirem para Jerusalém para exaltar a grandeza de Deus. Pessoas simples que subiam à Jerusalém para celebrar o Rei da glória, o Senhor Todo Poderoso.


O que este Salmo tem a nos ensinar? Que nós pertencemos a Deus. Parece um ensinamento simples, mas é difícil de compreender, tão difícil que a humanidade prefere seu próprio caminho a depender exclusivamente dele. Pertencer a Deus é confiar que ele nos sustenta. É sonhar com o futuro e colocar nas mãos dele o nosso amanhã, é o que escreve Wayne Jacobsen e Dave Coleman no livro “Por que você não quer mais ir à igreja?”, que fala das lutas de um pastor em seu relacionamento com Deus, cito aqui um trecho interessante:


“Deus vai providenciar. Ele sempre faz isso. Só que você não fica sabendo. Se você não tem emprego nem seguro-saúde, isso não significa que ele irá abandoná-lo. Se algumas pessoas estão destruindo sua reputação, isso não quer dizer que elas terão a última palavra. Deus não é uma fada madrinha que recorre à varinha de condão para deixar tudo do jeito que queremos. Você não irá longe se questionar o amor dele por você todas as vezes que suas expectativas não forem atendidas. Ele é seu pai. Sabe bem melhor do que você aquilo que você necessita. Ele é um provedor muito melhor para você e sua família do que imagina. Está trazendo você para a vida dele e, em vez de livrá-lo dessas coisas pelas quais está passando, preferiu usá-las para lhe mostrar o que são verdadeiramente a liberdade e vida autênticas.” (Por que você não quer mais ir à igreja? De Wayne Jacobsen e Dave Coleman. Editora Sextante. p. 88-89).


Deus quer nos ensinar que pertencemos a ele, que sem ele nada somos, que podemos passar a vida dando cabeçadas e errando ou podemos passar a vida aprendendo sua vontade e buscando cada vez mais ter “as mãos limpas e o coração puro; homens que não trapaceiam, mulheres que não seduzem” (v.4). Não é fácil se enquadrar nesta lista do verso 4 do Salmo. Mas não podemos desistir de buscar este alvo. Não podemos deixar de lado a nossa missão de sermos servos dedicados a Deus, nos reconhecendo como servos, nos reconhecendo como pertencentes a ele. Assim, podemos nos preocupar com o que realmente é importante, buscar o perdido, anunciar o evangelho aos que estão oprimidos pelas angústias e tristezas, é o ministério diaconal do cristão: servir a Deus e ao próximo. É o que João Calvino procurou resgatar em Genebra, no século XVI, é o que devemos resgatar em nossa Igreja: a humanidade pertence a Deus e os cristãos tem a missão de amparar aqueles que estão perdidos e oprimidos anunciando a mensagem do evangelho.


Reconhecendo-nos como servos de Deus. O salmo 24 continua nos mostrando o que acontece com quem busca a presença de Deus e se reconhece como propriedade dele. Diz o verso cinco: “O Eterno está do lado deles; com a ajuda dele, serão bem-sucedidos”. Aquele que se entrega nas mãos de Deus terá sucesso. Mas que sucesso? Será rico? Terá fama? Não, terá a alegria de Deus. Eu imagino o povo subindo para Jerusalém e cantando este Salmo. O povo vem com seu jeito simples, com alegria no coração, mas reconhecem-se servos, sabem que somente o Deus eterno é capaz de dar-lhes a paz e a segurança de que tanto necessitam.
Quando olho para os nossos dias, vejo pessoas buscando sucesso pessoal e profissional, mas não ligam a mínima para o sucesso espiritual. Buscam valores financeiros: casa, carros, dinheiro na conta. Não buscam valores do Reino: justiça, amor, paz. Olham para Deus e exigem dele bens materiais, mas não são fortunas que Deus reserva para nós. O nosso sucesso é outro, o nosso sucesso está na glória do nosso Senhor.


Por isso precisamos nos reconhecer como servos. Somente quem se coloca como servo diante das promessas de Deus pode experimentar o que ele tem de sucesso para nós. Insistimos em buscar a solução de tudo do nosso jeito. Mas não é do nosso jeito que tem que ser, deve ser do jeito de Deus. Ele é o Rei da glória, a ele pois toda glória. Vejo pastores, líderes, músicos, reivindicando para si louvores e títulos que não lhes cabem. Vejo pessoas chamadas a serem servos se comportando como senhores! Invertem a ordem da adoração e esperam colher frutos dignos para serem apresentados diante do verdadeiro Senhor. Fazendo um paralelo com a linguagem do Salmo 24, eles sobem para Jerusalém se exaltando, e não exaltando ao Deus de Jerusalém! Quem é o ser humano para reivindicar de Deus o que quer que seja? Não somos senhores de nada, somos servos! Escravos! Comprados pelo sangue do Cordeiro!


O salmista exclama por duas vezes “Acorde, cidade preguiçosa! Acorde, povo dorminhoco!”, na expressão de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada, “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos”. Em ambas as traduções, temos aqui um grito de alerta, uma chamada ao povo para que desperte. Até quando manteremos abaixados os portões da cidade Santa, impedindo a chegada do Rei? Até quando manteremos abaixados os nossos braços, nos reservando o direito de apenas assistir o culto, ao invés de fazer da nossa vida um culto a Deus? Quem é servo não dorme em serviço. Quem é servo abre as portas de sua vida para que o Rei da glória entre e domine vitoriosamente em sua vida.


Concluindo. Somos convidados a nos reconhecermos como propriedade de Deus e servos dele. Isso não nos isenta de problemas e circunstâncias adversas em nossas vidas, mas nos garantem a certeza de que Deus está no controle, ele tem o melhor para nós. Por isso, precisamos confiar, declarar que somos falhos e que dependemos do amor e misericórdia de Deus. Busquemos, incessantemente, ter “as mãos limpas e o coração puro” (v.4a), apresentando-nos diante de Deus como servos que buscam a fidelidade ao seu Senhor, declarando que ele é o Rei da glória. Que Deus assim nos abençoe.



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