Blog da Igreja Presbiteriana Independente da Lapa. Visite-nos! Será bem vindo! Rua Domingos Rodrigues, 306 - Lapa
domingo, 27 de maio de 2012
A desinformação da infância e da adolescência
Editado por Rev. Giovanni Alecrim Última atualização em Sexta, 30 Março 2012 10:39
Chequei em casa no final da tarde, depois de um dia de trabalho, e encontrei meu filho mais velho com o seu notebook de um ano e meio de uso, todo desmontado em cima da mesa. Perguntei assustado: “O que você está fazendo, menino?” Ele, sem levantar os olhos, respondeu com toda calma: “Vou pintar meu notebook!” Com semblante de preocupação e cara de assustado retruquei: “Quem disse que é possível pintar um notebook?” “Pai, na internet você acha de tudo”, me respondeu secamente. Na rede, ele achou um vídeo que ensinava, passo a passo, todo o processo para desmontar, pintar e montar um notebook. Seguiu a todas as orientações e obteve êxito no seu propósito de dar uma nova face ao seu “note”. Meu filho tinha razão. Na rede mundial de computadores, você encontra todo tipo de informação, tanto as que informam como as que desinformam.
A palavra informar vem do latim “informare”, plavra composta por “in”, prefixo com a idéia de movimento para dentro, e “formare” que significa formar. Daí a idéia de modelar, dar forma, formar uma idéia de algo. Ao usar a expressão criança informada, expressamos a idéia de que os saberes e conhecimentos que a criança e o adolescente incorporam contribuem para sua formação. Mas também saberes e conhecimentos excessivos ou inadequados podem contribuir para a desinformação. Mesmo não havendo internet no período bíblico, encontramos no livro sagrado exemplos de informação e desinformação de crianças e adolescentes. Um deles é bastante constrangedor para nós que vivemos no século XXI. Está registrado no 2º Livro dos Reis e narra a viagem de Eliseu de Jericó para Betel. Na estrada, alguns jovens zombaram dele, chamado-o de careca. Ele olhou para os meninos e os amaldiçoou. Duas ursas apareceram e mataram 42 deles (2Rs 2.23-24). Esses meninos eram desinformados. Não tinham as informações adequadas sobre o profeta, sobre o temor do Senhor ou receberam informações geradoras do desrespeito e da falta de temor para com o profeta de Deus. No mesmo livro, encontramos o registro da história de uma menina que o exército da Síria prendeu. Ela foi feita escrava na casa da mulher de Naamã, comandante do Exército. Ao saber do grave problema de saúde do comandante, ela disse à patroa: “Eu gostaria que o meu patrão fosse falar com o profeta que mora em Samaria, pois ele o curaria da sua doença”. Com base nessa informação, o rei da Síria enviou Naamã para Samaria. Depois de alguns desencontros, o comandante sírio resolveu obedecer às orientações do profeta Eliseu e se banhou no rio Jordão, sendo curado da lepra (2Rs 5.1-19). Essa menina era bem informada. Havia recebido todas as informações adequadas para a sua idade sobre Deus e sobre os seus profetas. Usou estas informações para o benefício de outra pessoa e para testemunhar a sua fé.
Os exemplos bíblicos são importantes para colocar pais e educadores em alerta. A internet está cada vez mais presente na vida das pessoas, principalmente das crianças e adolescentes. Eles têm na rede um ótimo local para aprender, se divertir, bater papo com os amigos da escola e simplesmente relaxar e explorar. Como vivemos em uma sociedade marcada pela violência, a internet toma lugar das brincadeiras de rua, do passeio de bicicleta, da ida na praia, da visita a um coleguinha. Para os pais, ficar em casa é muito mais seguro. Mas, assim como no mundo real, a rede pode ser perigosa para as crianças. Pode ser uma janela para toda sorte de perigo que imaginamos estar do lado de fora da casa.
Por esta razão, é importante estabelecer uma estratégia para filtrar as informações e evitar aquelas que são inadequadas ao desenvolvimento das crianças e adolescentes. Existem no mercado vários programas de bloqueio que os pais podem usar para controlar os sites visitados pelos seus filhos. Porém, a opinião dos especialistas é que, por melhor que seja o software, ele não será capaz de bloquear os milhares de sites existentes na rede. Daí a necessidade de saber com quem as crianças e adolescentes se relacionam, que sites visitam. Além disso, é necessário estipular um tempo limite de uso do micro, durante a semana e nos finais de semana. Isso é importante para que as crianças não fiquem expostas a excessos de informações, deixando de fazer outras atividades mais socializantes e menos solitárias.
Antes de permitir que seu filho permaneça online sem a sua supervisão, use o diálogo e o bom senso para estabelecer regras de segurança. Estimule seus filhos a compartilhar com você suas experiências com a internet. Se eles necessitarem de um login, ajude-os a criar um nome que não revele nenhuma informação pessoal sobre eles. A criança tem muita facilidade em acreditar que tudo que está na internet é verdadeiro. Ensine seus filhos como a rede funciona e explique que qualquer um pode criar um site, sem que ninguém lhe pergunte nada. Ensine-os também a usar vários recursos de informação e a verificar, questionar e confirmar o que encontram online. Ensine-os, sobretudo, que a diferença entre certo e errado na internet é a mesma da vida real.
Assim como meu filho encontrou uma orientação para desmontar, pintar e montar seu notebook, ele poderia ter acesso a outras informações. Qualquer pessoa pode obter na internet orientações seguras de como construir um coquetel molotov, uma bomba caseira, de como usar uma arma, atirar com um fuzil ou carregar um revólver. Além dessas, há muitas outras de todos os matizes ideológicos, políticos, religiosos e morais. São informações totalmente inadequadas para pessoas em processo de formação física, intelectual e emocional.
Para o bem das crianças e adolescentes, é muito importante que pais e responsáveis controlem o acesso à enorme quantidade de informações disponíveis na internet. Não havendo esse controle, o acesso à rede irá contribuir para a desinformação e não formação de crianças e adolescentes.
O Rev. Ezequiel Luz é pastor da Congregação Presbiterial de Dourados, MS
www.ipib.org
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário