Lissânder Dias
A
fragilidade de uma planta que acaba de nascer esconde a força que tem
para se tornar uma árvore. Por isso são necessárias paciência e modéstia
para acompanhar o processo de crescimento, que, embora inadiável, às
vezes é lento e cheio de riscos. Assim é com a unidade: frágil e forte,
ao mesmo tempo.
A unidade é um valor cristão
difícil de ser alcançado. Em se tratando da unidade da Igreja, a questão
é ainda mais complexa, pois envolve heranças eclesiásticas e
teológicas, contextos culturais, questões polêmicas, pecados coletivos e
orgulhos pessoais. Daí a necessidade de valorizar e celebrar todo
esforço honesto em favor da unidade. A Aliança Evangélica Brasileira tem
sido importante nesse sentido nos últimos dois anos.
Participei
do 1º Fórum da Aliança, realizado entre os dias 24 e 26 de novembro de
2011, em Brasília, DF, com o tema “Unidade, Identidade e Missão” e a
presença de cerca de 100 pessoas. Vi uma vontade persistente de que a
oração de Cristo seja real: “Para que todos sejam um...” (Jo 17). Mesmo
que não estejamos preparados para enfrentar todas as demandas desta
oração -- sobretudo em uma igreja evangélica tão difusa como a nossa --,
a súplica sinaliza o caminho apropriado a ser seguido. É como a
caminhada misteriosa de Abraão, que, “sendo chamado, obedeceu, indo para
um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde
ia” (Hb 11.8). Sabemos que devemos caminhar, mas não temos total certeza
de como será a caminhada. Não é uma questão de planejamento (o qual é
sempre bem-vindo), mas de fé diante de coisas que nenhum planejamento
pode mensurar. A Aliança precisa crer que Deus realmente quer e fará com
que a unidade volte a ser uma virtude essencial para a vida cristã.
Ela
parece não buscar apenas teoria. Antes, quer estar com os braços
abertos para a missão: amor, serviço e proclamação. Este é o seu lema:
“Unidade em missão”. Ele nos afasta dos muros burocráticos das palavras
fáceis e das declarações bonitas, mas vazias, bem como do corpo oco dos
ajuntamentos sem propósito. Desafio imenso!
A fragilidade da
pequena planta é um fato, mas confiamos no Jardineiro, que não tem medo
do trabalho e é o mais interessado em que a planta se torne uma árvore
frondosa.
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