terça-feira, 20 de março de 2012

Igreja unida: fragilidade e força


Lissânder Dias
A fragilidade de uma planta que acaba de nascer esconde a força que tem para se tornar uma árvore. Por isso são necessárias paciência e modéstia para acompanhar o processo de crescimento, que, embora inadiável, às vezes é lento e cheio de riscos. Assim é com a unidade: frágil e forte, ao mesmo tempo.
A unidade é um valor cristão difícil de ser alcançado. Em se tratando da unidade da Igreja, a questão é ainda mais complexa, pois envolve heranças eclesiásticas e teológicas, contextos culturais, questões polêmicas, pecados coletivos e orgulhos pessoais. Daí a necessidade de valorizar e celebrar todo esforço honesto em favor da unidade. A Aliança Evangélica Brasileira tem sido importante nesse sentido nos últimos dois anos.
Participei do 1º Fórum da Aliança, realizado entre os dias 24 e 26 de novembro de 2011, em Brasília, DF, com o tema “Unidade, Identidade e Missão” e a presença de cerca de 100 pessoas. Vi uma vontade persistente de que a oração de Cristo seja real: “Para que todos sejam um...” (Jo 17). Mesmo que não estejamos preparados para enfrentar todas as demandas desta oração -- sobretudo em uma igreja evangélica tão difusa como a nossa --, a súplica sinaliza o caminho apropriado a ser seguido. É como a caminhada misteriosa de Abraão, que, “sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hb 11.8). Sabemos que devemos caminhar, mas não temos total certeza de como será a caminhada. Não é uma questão de planejamento (o qual é sempre bem-vindo), mas de fé diante de coisas que nenhum planejamento pode mensurar. A Aliança precisa crer que Deus realmente quer e fará com que a unidade volte a ser uma virtude essencial para a vida cristã.
Ela parece não buscar apenas teoria. Antes, quer estar com os braços abertos para a missão: amor, serviço e proclamação. Este é o seu lema: “Unidade em missão”. Ele nos afasta dos muros burocráticos das palavras fáceis e das declarações bonitas, mas vazias, bem como do corpo oco dos ajuntamentos sem propósito. Desafio imenso!
A fragilidade da pequena planta é um fato, mas confiamos no Jardineiro, que não tem medo do trabalho e é o mais interessado em que a planta se torne uma árvore frondosa.

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