terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Oscilações inevitáveis



A mesma pessoa que escreveu: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro” (Sl 4.8) também declarou: “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago” (Sl 6.6). Ao registrar estes dois estados de alma, Davi expressou o que acontece com todos nós: as inevitáveis variações de ânimo.

Em uma conversa fictícia descrita em “Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz”, de C. S. Lewis, o “demônio-mor” explica ao seu sobrinho aprendiz que estas oscilações seriam uma boa porta de entrada para a tentação, e assim descreve a natureza humana: “A maior aproximação a que eles chegam da constância vem a ser a ondulação -- a volta repetida a um certo nível do qual eles caem repetidas vezes como numa série de depressões e cristas [...] ondulação que se manifesta em todos os departamentos humanos -- no interesse que dispensa ao trabalho, nas afeições para com os amigos, nos apetites fisiológicos, tudo nos homens oscila para cima e para baixo”.

A advertência de Eugene Peterson em “A Oração que Deus Ouve” -- “Os sentimentos são o flagelo da oração. Orar com base nos sentimentos é estar à mercê de glândulas, tempo e digestão” -- e a sugestão de uma saudável displicência para com os nossos sentimentos no âmbito da oração podem servir a todas as áreas da vida.

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