Seções — De hoje em diante...
edição Julho-Agosto/2011
A partir de hoje, com a ajuda de Deus, vou arregaçar as mangas e mandar a preguiça embora. Estou completamente desmoralizado perante a família, a igreja e a sociedade. Ninguém me entrega uma responsabilidade, ninguém espera algo de mim, ninguém confia em mim. Preciso mudar de vida e recuperar a minha dignidade.Enquanto os outros são relativamente prósperos, eu não tenho conseguido o que preciso nem o que desejo. Oro muito e trabalho pouco. Sou como uma porta que gira nas dobradiças, mas, de fato, não sai do lugar. Sou um sonhador e não um trabalhador. Sou motivo de zombaria. Certo dia ouvi alguém dizer que, de tão preguiçoso, eu preciso de alguém para tirar a comida do prato e pôr na minha boca! E também que eu teria dito com os meus botões: “Se eu sair de casa, o leão me pega”.
Minha decisão de hoje foi despertada quando acidentalmente li este provérbio de Salomão: “Preguiçoso, observe bem as formigas, olhe os seus caminhos e seja sábio [porque] elas não têm supervisor, nem oficial, nem governante para dar ordens, e, mesmo assim, trabalham durante o verão, ajuntando provisão para o inverno” (Pv 6.6-8, BV). O impacto dessa passagem bíblica me tirou da indolência crônica e me pôs a caminho. Vou dormir menos, sonhar menos, pestanejar menos -- vou sair de casa para o trabalho, mesmo que haja um leão do lado de fora.
Obrigo-me a tomar essa corajosa e já tardia decisão porque, estando ocupado, não terei mais tempo para me intrometer na vida alheia e perturbar a paz e a ordem dos outros. Não foi por acaso que li a palavra acusatória de Paulo aos crentes de Tessalônica: “Alguns de vocês estão vivendo na ociosidade, recusando-se a trabalhar, e gastando o tempo metendo-se na vida alheia” (2Ts 3.11, BV). Até então, eu não tinha percebido essa intimidade entre a preguiça e o intrometimento. Ainda não sei qual é pior. Na verdade, não me interessa, pois, deixando de ser preguiçoso, deixarei também de ser intrometido. Com o auxílio de Deus, matarei os dois vícios com uma cajadada só!
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