Já passou da hora de
os mais piedosos e os mais santos revelarem que eles não têm uma
santidade inata nem fácil. Potencialmente eles também têm inveja, raiva,
olhos adúlteros, vontade de aparecer, desejos pecaminosos, momentos de
desânimo, crises de depressão e talvez tenham até problemas na área da
homossexualidade. Se eles de fato são mais piedosos e mais santos do que
o cristão comum que aspira ser piedoso e santo, é porque levam a sério o
que Jesus disse: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8.34).
Os mais
santos e os menos santos estão em um mesmo nível quanto à natureza
caída, quanto à necessidade de perdão e quanto à fraqueza frente à
tentação. Estes e aqueles são, ao mesmo tempo, atraídos por Deus e pelo
mal. Ambos são tentados pela carne, pelo mundo e pelo diabo. O primeiro
não é nenhum gigante e o segundo, nenhum pigmeu. A diferença não é essa,
mas está no fato de que os mais santos consideram-se mortos para o
pecado e o conseguem com o auxílio de Jesus. O Senhor ainda diz: “Quem
está unido comigo [a Videira] e eu com ele, esse dá muito fruto porque
sem mim vocês não podem fazer nada” (Jo 15.5). Já os menos santos ainda
estão engatinhando e escorregando por todo lado.
Em
qualquer momento os menos santos podem entrar na fileira dos mais
santos e os mais santos, se não tomarem cuidado (1Co 10.12), engrossar a
fileira dos menos santos!
Chegou a hora de tirar a roupa e
mostrar a nudez natural, que começou no Éden e que o anjo da igreja de
Laodiceia ignorava ou escondia (Ap 3.18). Para o bem de todos — dos
agora mais piedosos e mais santos (para intensificar neles o sentimento
de humildade) e dos agora menos piedosos e menos santos (para arrancar
deles o sentimento de fracasso).
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