sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

PROFECIAS DE JOÃO BATISTA

Boa Semente: PROFECIAS DE JOÃO BATISTA: E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não s...

E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará (Mateus 3:11-12).

Essas palavras solenes foram pronunciadas por João Batista, o enviado para preparar o caminho do Senhor. Ele estava falando diretamente para os líderes religiosos em Israel que - João bem sabia - eram culpados de hipocrisia. Ele deixou bem claro que batizava com água para arrependimento. Mas Lucas 7:30 nos diz: “Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele”. Eles não admitiam que precisavam se arrepender.

Mas João tinha uma mensagem mais vital que seu batismo: “Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar”. O Senhor Jesus iria batizar com o Espírito Santo. Isso é uma referência ao momento em que Ele enviaria o Espírito de Deus para batizar cada crente em Seu corpo, a Igreja, após Sua ressurreição (1 Coríntios 12:13). Além disso, João acrescentou que o Senhor Jesus iria batizar com fogo. Isso ainda não aconteceu, mas é tão certo quanto o batismo com o Espírito Santo. O batismo com fogo ocorrerá após o arrebatamento, “quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 1:7-8).

E então veremos o perfeito cumprimento da profecia de João quando afirmou que Cristo “limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará”.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

UM CAMINHO POSITIVO


É necessário determinação para sair de um buraco.   Robert Schuller
Como você se mantém positivo quando os problemas ao seu redor são tão intensamente negativos? Como você pode manter uma positiva abordagem quando as situações ao seu redor são tão problemáticas? Uma sincera e positiva atitude não é uma reação para a maneira como as coisas são. Em vez disso, é uma expressão – e resposta - da sua parte quanto à maneira como as coisas podem vir a ser.

Ser positivo não é uma irrealista ou ingênua maneira de encarar um mundo negativo. Ser positivo apenas dá a você a base para um sólido fundamento a fim de fazer um real aprimoramento em seu mundo e – pela graça de Deus - criar positivos valores onde você estiver.

Quando você foca no aspecto positivo de uma determinada situação, você irá encontrar uma quantidade imensa de pessoas que irão discordar de você. Mas isso é um problema deles e não seu. Olhe para além daqueles que discordam e torcem pela sua derrota e caminhe focadamente no caminho da vitória. Seja qual for a sua presente situação, você pode – através da bondade, misericórdia e graça de Deus – sempre encontrar um positivo caminho para seguir em frente.
Nélio DaSilva

Para Meditação:
Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar.  Josué 1:9




O GEMIDO DA CRIAÇÃO: OS CRISTÃOS E A QUESTÃO ECOLÓGICA

O gemido da criação: os cristãos e a questão ecológica – Edição 294 | Revista Ultimato


O gemido da criação: os cristãos e a questão ecológica

Alderi Souza de Matos

Exatamente neste momento está ocorrendo uma tragédia que afeta a todos nós: a contínua e implacável devastação da natureza em todo o mundo na forma de eliminação de florestas e ecossistemas, poluição da água e do ar, chuva ácida, destruição da camada de ozônio, aquecimento global e outras agressões ao meio ambiente. Recentemente a gravidade do problema ficou ilustrada de modo dramático quando foram divulgadas fotos do monte Kilimanjaro, o mais alto da África, sem a sua milenar cobertura de neve. É certo que o meio ambiente sempre sofreu violências ao longo da história do planeta Terra, mas quase todas foram resultantes de causas naturais, espontâneas. A diferença é que nos últimos séculos são os próprios seres humanos que têm agredido de maneira crescente o seu precioso e frágil habitat. Diante disso, é lícito questionar: Esses problemas devem preocupar os cristãos? O que a fé cristã tem a dizer sobre a questão ecológica?

A teologia da criação

O ponto de partida de qualquer discussão cristã sobre ecologia deve ser o conceito bíblico de Deus como Criador. De acordo com Gênesis 1, o universo como um todo, e em especial a terra, agraciada com o maravilhoso dom da vida, é obra das sábias e poderosas mãos de Deus (ver Sl 136.3-9; Pv 8.22-31). A natureza, em toda a sua complexidade e beleza, testifica sobre a grandeza e a bondade do Criador (Dt 33.13-16; Sl 104.10-24, 27-30). São muitas as passagens bíblicas, algumas de grande sublimidade poética, que visam inculcar nas pessoas uma atitude de respeito e admiração pelos encantos do mundo natural (Jó 40.15-19; Sl 65.9-13; 147.7-9,15-18; 148.1-10; Ct 2.11-13; At 14.17). Nos seus ensinos, Jesus fez muitas referências à natureza para exemplificar o cuidado providente de Deus (Mt 6.26,28; 13.31-32; Lc 12.6). Nos anúncios proféticos do novo tempo que Deus irá criar, a natureza ocupa um lugar de destaque (Is 11.6-8; Ez 47.7,12; Ap 22.1-2).

Ainda que Deus tenha feito o ser humano como o coroamento da sua obra criadora, ele não lhe conferiu o direito de abusar da terra e de seus recursos. Fica implícita em toda a Escritura a responsabilidade humana de cuidar e de guardá-lo do “jardim do Senhor” (Gn 2.15). O conceito de mordomia se aplica de modo especial nessa área a terra e suas riquezas pertencem a Deus, que as confia ao homem para que as administre com cuidado e sabedoria. O pecado humano gerou alienação em relação a Deus e à natureza. Por isso agora a criação “geme e suporta angústias” até que seja “redimida do cativeiro da corrupção” (Rm 8.21-22). Os cristãos têm o dever inescapável de usar criteriosamente as coisas que Deus criou visando dar-lhes vida, sustento e alegria.


Irmão sol, irmã lua

A questão ecológica, tal como a entendemos hoje, é um fenômeno recente, tendo adquirido visibilidade na segunda metade do século 20. Os cristãos de séculos passados não tiveram esse tipo de preocupação conservacionista em relação ao mundo natural. No entanto, sempre existiu no cristianismo uma relação entre a natureza e a espiritualidade. Ao contrário dos gregos antigos, os cristãos entendiam que a matéria não era má e desprezível, mas valiosa aos olhos de Deus. Alguns personagens deram especial ênfase a isso, como foi o caso de Francisco de Assis (1182-1226), que escreveu belas composições celebrando as maravilhas da criação. Entre os muitos hinos que mostram a natureza e os seres humanos unidos no louvor a Deus, dois exemplos conhecidos são “As grutas, as rochas imensas” e “Vós, criaturas de Deus Pai” (Hinário Evangélico, n° 120 e 129). 

Infelizmente, como acentua o apóstolo Paulo, o pecado levou o ser humano a adorar a criatura em lugar do Criador (Rm 1.25). A ignorância do Deus verdadeiro produziu o culto da natureza e suas forças, fundamento de todas as antigas religiões animistas e pagãs. Em nosso tempo, vemos o ressurgimento dessa divinização dos elementos naturais, na forma de panteísmo, neopaganismo, “Nova Era” e o culto da “Mãe Terra”. É lamentável e injustificável que muitos cristãos, devido às ligações desses grupos com certos setores do movimento ecológico, acabem por retrair-se dos esforços pela preservação do meio ambiente.


Avaliando as causas

Ao se considerar as causas da crise ecológica, um dos fatores que agravam esse fenômeno é o aumento desordenado da população, principalmente nos países pobres do hemisfério sul. Quanto mais gente existe no mundo, mais o ambiente sofre impactos, e quanto mais isso ocorre um maior número de pessoas é afetado. Cria-se um círculo vicioso difícil de romper. O caso mais preocupante é a contínua diminuição das reservas de água potável em âmbito mundial. Muitas violações do equilíbrio ambiental têm origens bem pouco defensáveis: ganância, insensibilidade, falta de espírito coletivo, desrespeito às leis (ver Is 24.4-6; Os 4.3). Isso fica muito claro no que acontece no Brasil, com a derrubada e queima ilegal de florestas (principalmente na Amazônia); poluição da água com mercúrio e agrotóxicos; erosão do solo e assoreamento de rios, contrabando de animais exóticos e espécies ameaçadas; extração, caça e pesca ilegal em reservas; construções clandestinas em áreas de preservação permanente, e tantos outros males.

Há aqueles que tentam justificar as agressões ambientais dizendo que são necessárias para o desenvolvimento do país, geram empregos e impostos, e contribuem para a melhoria do padrão de vida das populações locais. Esses argumentos são falaciosos. Quanto aos primeiros, os prejuízos para o país a longo prazo são maiores que os benefícios; quanto ao último, quem visita as áreas devastadas da Amazônia e de outras regiões sabe que o uso intensivo dos recursos naturais não eliminou a pobreza e a exclusão social. É preciso que haja uma profunda transformação cultural, com a geração de novos valores. Os cristãos têm muito a contribuir nessa área.


Propondo soluções

O primeiro conceito-chave é educação, conscientização. A partir das suas convicções sobre Deus como Criador e sobre a importância e o valor da criação, os cristãos devem eles próprios aprender a respeitar a natureza, transmitir essa atitude a outras pessoas e apoiar as instituições idôneas que realizam esse trabalho. Não se trata de utilizar ou não os recursos naturais, mas de utilizá-los de modo criterioso, responsável, que leve em conta não somente as necessidades atuais, mas as futuras gerações. É o chamado desenvolvimento sustentável, que, ao mesmo tempo em que utiliza, também preserva e protege os recursos para que não se esgotem, principalmente no aspecto da biodiversidade. 

Outra linha de ação é a pressão política, ou seja, a mobilização de forças e atuação perante o governo, empresas, bancos e imprensa para mostrar-lhes que a preservação ambiental é coisa séria, vital e decisiva. Há alguns anos, certas companhias vendiam atum enlatado nos Estados Unidos para cuja captura eram utilizadas grandes redes que matavam golfinhos, tartarugas e outros animais. As pessoas, inclusive muitos cristãos, fizeram um boicote contra esses produtos como forma de pressão sobre os fabricantes, até que estes fizessem mudanças nos seus processos de pesca. Se os cristãos e outros grupos forem mais incisivos em seus protestos, os governantes levarão mais a sério a sua missão de disciplinar a utilização dos recursos naturais, em vez de tomar medidas paliativas que apenas adiam por algum tempo o seu esgotamento final. Finalmente, há que lembrar sempre que a questão ambiental nunca deve ser divorciada da questão social.


Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. asdm@mackenzie.com.br


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O DESGASTE E A INUTILIDADE DA ANSIEDADE

O desgaste e a inutilidade da ansiedade — “Não andeis ansiosos de cousa alguma” (Fp 4.6) – Edição 294 | Revista Ultimato


O desgaste e a inutilidade da ansiedade — “Não andeis ansiosos de cousa alguma” (Fp 4.6)

A ansiedade crônica rouba alguns anos de vida, porque provoca um acentuado dispêndio de energia. Além de ser inútil, ela entristece, adoece — física e emocionalmente — e envelhece. O pior de tudo é que a ansiedade rotineira não prejudica apenas o ansioso, mas também aqueles que convivem com ele em casa, na igreja e no trabalho, incluindo o cônjuge, os filhos e os amigos.

É para evitar esse desperdício de saúde emocional e de alegria que Paulo condena a ansiedade e oferece uma alternativa aos ansiosos. Em última análise, a ansiedade, seja ela esporádica ou crônica, é uma violência contra Deus, porque obriga o ansioso a pôr em dúvida o cuidado que Deus dispensa mais ao ser humano que às aves do céu e aos lírios dos campos (Mt 6.25-31). Jesus coloca o discípulo ansioso no mesmo nível dos pagãos, que vivem correndo de um lado para outro atrás do que comer, beber e vestir (Mt 6.32). O Senhor se sente injustiçado com o comportamento ansioso de seus seguidores, porque a ansiedade rouba tempo e energia que deveriam ser gastos na difícil construção de seu reino (Mt 6.33). Quanto mais tempo se gasta na tentativa de eliminar o vício da ansiedade, mais difícil é livrar-se dela. É por isso que o pastor cubano Rafael Cepeda escreve em seu O Tempo e as Palavras: “A preocupação é, talvez, o pecado mais universal, o mais esgotante, o mais bobo e o mais inútil”.

É bom fazer um inventário de nossas possíveis causas para a ansiedade, classificando-as em determinados grupos. Mesmo que seja longa, a lista certamente não será completa. Os motivos para a ansiedade variam de pessoa para pessoa e de circunstância para circunstância.

Ao mesmo tempo que condena a ansiedade, Paulo ensina o caminho para livrar-se dela:

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Fp 4.6-7).

O esquema é muito simples: toda vez que surgir uma preocupação, deve-se apresentá-la diante de Deus por meio da oração suplicante misturada com ação de graças, antes que essa sensação se transforme em ansiedade. A mistura de súplica com agradecimento faz bem, pois obriga a memória a enxergar e localizar as coisas boas da vida e os livramentos passados, diminuindo a tensão interna, encorajando a oração e trazendo a tranqüilidade.

O resultado não demora: a paz de Deus, “que ninguém consegue entender” (Fp 4.7, NTLH) ou “que é muito mais maravilhosa do que a mente humana pode compreender” (Fp 4.7, BV) ou “que transcende toda a compreensão humana” (Fp 4.7, Phillips), ocupará o lugar que seria da ansiedade.

A pastoral de Paulo é reforçada pela pastoral de Pedro: “Lancem sobre ele [Deus] toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1 Pe 5.7).

Tanto um como outro aprenderam com Jesus, que mostrou a inutilidade da ansiedade (“Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?”, Mt 6.27) e o cuidado de Deus (“Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé?”, Mt 6.30).

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O REI DO EGITO EXIGE MAIS TRABALHO DOS ISRAELITAS

O rei do Egito exige mais trabalho dos israelitas
Êxodo 5.10-19


Então os feitores e os chefes de turmas saíram e foram dizer ao povo o seguinte:

— O rei disse que não vai mais fornecer palha a vocês. Ele manda que vocês vão ajuntar palha onde puderem achar. Mas terão de continuar fazendo a mesma quantidade de tijolos.

Por isso o povo se espalhou por toda a terra do Egito, ajuntando a palha que sobrava das colheitas. Os feitores forçavam os israelitas a fazer todos os dias a mesma quantidade de tijolos que costumavam fazer quando recebiam palha. Os feitores batiam nos israelitas chefes de turmas que haviam sido encarregados do trabalho e perguntavam:

— Por que vocês não estão fazendo a mesma quantidade de tijolos que faziam antes?
Então os israelitas chefes de turmas foram se queixar ao rei. Eles disseram:

— Por que é que o senhor nos trata assim, nós que somos seus empregados? Agora não nos dão mais palha, mas exigem que continuemos fazendo tijolos! Além disso batem em nós; no entanto, os seus feitores é que são os culpados.

Mas o rei respondeu:

— Vocês são uns preguiçosos e não querem trabalhar. É por isso que estão me pedindo que os deixe ir oferecer sacrifícios a Deus, o Senhor. Voltem ao trabalho. Vocês não receberão palha, mas terão de fazer a mesma quantidade de tijolos.

Os israelitas chefes de turmas viram que estavam numa situação difícil, quando lhes foi dito que fizessem todos os dias a mesma quantidade de tijolos que faziam antes.


O AMOR VALE MAIS DO QUE LINDAS FLORES E VÉU DE NOIVA

O amor vale mais do que lindas flores e véu de noiva – Edição 294 | Revista Ultimato


O amor vale mais do que lindas flores e véu de noiva

Benno Wagner

O fato teve seu desfecho exatamente há 35 anos, no dia 1º de abril de 1970, na capela particular do bispo Dom Jaime Luiz Coelho, em Maringá, PR.

Após o envio do libelo para Roma e a espera de cerca de dois anos pela decisão canônica, finalmente veio o veredicto: “Faça o casamento religioso”.

Gentilmente, Dom Jaime me procurou. Eu era então diretor do Colégio São José, em Maringá. Ele tomou a dianteira e me disse: “Vou fazer o seu casamento bem simples e singelo. Sem muitas cerimônias. Dispenso testemunhas, parentes e amigos”.

Feliz por ter enfim recebido a dispensa de Roma, combinei tudo com minha esposa e fizemos os preparativos. Mas, que preparativos? Não tinha de preparar nada. O bispo só me disse: “Faça antes uma boa confissão”.

Na manhã do dia combinado, às 7h30, lá estávamos eu e minha esposa na capela particular do senhor bispo. Por que sozinhos? Não sei. Talvez não conviesse que o povo soubesse que o padre Benno e a dona Tereza não eram casados legitimamente! Meandros da ética e das leis canônicas!

Antes da missa, que o bispo rezou pessoalmente, sem outra assistência senão nós dois nubentes, foi realizada a bênção do nosso “casamento clandestino”. De fato, a cerimônia foi simplíssima, como Roma desejava.

Passados tantos anos, até hoje não sei o porquê da clandestinidade. Estaríamos fazendo algo errado? Ainda mais depois daquele solene decreto do Concílio Vaticano II, que afirmava que não havia contradição entre o sacerdócio e o matrimônio. Ou seria porque o povo de Deus não deveria tomar conhecimento desse decreto? Essa pergunta ainda está engasgada na minha garganta.

Em todo caso, estávamos casados. E o casamento foi feito por um bispo, meu amigo Dom Jaime, que sempre me tratou com caridade e respeito. Mais tarde, porém, minha esposa lamentou não ter usado o véu de noiva e o fato de ninguém ter levado flores. Eu a consolava dizendo que o amor vale mais do que lindas flores e o tradicional véu de noiva. “Já vimos tantos casamentos, alguns até celebrados por mim como padre, cheios de aparato externo e tão pouco amor”! — dizia-lhe.

Alguns alunos me perguntavam: “Professor, o senhor é casado no religioso?” Eu sempre respondia: “Oh, sim! E o meu casamento foi feito por um bispo. Isso me honra”.

Todavia, continuamos a lastimar a terrível ausência de testemunhas, de véu, de grinalda, de flores.

Um dia, em conversa íntima com Dom Jaime, perguntei discretamente: “Por que eu, padre casado, não posso rezar missa?” Após longa pausa, pensativo, ele respondeu: “É, padre Benno, se não fosse Roma!” Essa última palavra, ele esticou bem: “Roooma!” Pensei com meus botões: “ele não disse ‘se não fosse a mulher’”. Quantas vezes é a mulher que leva a culpa! Foi assim no paraíso. Dom Jaime nada mais acrescentou. Sempre, porém, foi um pai amoroso e verdadeiro. E mais: um bom pastor. Afinal, sou grato a ele, por ter abençoado nossas alianças e por ter nos dito: “O que Deus uniu, o homem não separe”. Muito obrigado, Dom Jaime. Tu foste um pai para nós!

Em recente edição do Direito Canônico, o cânon 1.333 abre uma brecha e declara que, se um grupo de fiéis pedir que o padre casado administre os sacramentos, este poderá fazê-lo legitimamente.

Por conveniência interna da Igreja, depois de ter jogado tanta pecha sobre os padres casados, esse item não é muito propalado entre os fiéis.

Hoje, o diácono ou o ministro da eucaristia faz praticamente tudo o que era da jurisdição dos padres antigos: batiza, administra a comunhão, assiste aos moribundos, celebra casamentos, enterra os mortos, ensina catecismo às crianças... E já não se questiona o fato de ele ser casado. Aliás, em todas as outras igrejas cristãs, tanto nas ortodoxas como nas evangélicas, as esposas dos pastores e dos bispos nunca foram um estorvo.

Deixo consignado aqui que muitos velhos colegas, depois de terem levado a pecha de “ex-padres”, agora, em certas ocasiões, a convite da igreja, podem e devem ministrar os sacramentos. É verdade que alguns já não têm vontade de fazê-lo.

Nos dias de hoje, quando em quase todas as esquinas dos nossos quarteirões aparecem igrejas de outras denominações cristãs, parece que os velhos coronéis tão massacrados e perseguidos por métodos autoritários vêm sendo, aos poucos, novamente valorizados.

O muro de Berlim também caiu!


Benno Wagner, 83 anos, nasceu em Taquara, RS. Formou-se em teologia e filosofia no Pontifício Ateneu Cristo Rei, em São Leopoldo, e foi ordenado padre aos 31 anos. Estudou psicologia e pastoral na Alemanha, e língua e cultura asiática no Japão. Trabalhou como sacerdote e professor na Diocese de Hiroshima, no Japão, por dez anos, onde fundou um grande colégio e conheceu Teresa Teruyo, sua paroquiana e auxiliar, com quem veio a se casar (no civil) em 1966, aos 44 anos. De volta ao Brasil, fundou em Maringá, em conexão com a colônia japonesa, o Colégio São José. É autor dos oito volumes da série Volta às Raízes, que narram fatos verídicos da vida cotidiana, focalizando sempre a imigração européia e japonesa.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O LADO BOM DA FRUSTRAÇÃO


Para derrotar a frustração é necessário permanecer intensamente focado no resultado e não no obstáculo. T.F. Hodge
Na sua forma mais crua, a frustração pode ser algo doloroso, negativo e até mesmo destrutivo. Porém, a frustração tem um lado bom e muito positivo. Existe uma quantidade enorme de energia na frustração.

A chave para lidar, de uma maneira bem sucedida, com uma frustração não é evitando-a, resistindo-lhe ou sendo derrotado por ela. A melhor coisa para se fazer com uma frustração é transformá-la numa positiva motivacão. Quanto mais intensamente você sente a frustração, mais motivado você pode ficar a fim de fazer as positivas mudanças na situação. Quando você se sente frustrado, pare por um momento e calmamente considere as suas circunstâncias.

Em vez de pensar em mil e uma maneiras de reclamar ou sentir pena de si mesmo, pense de que maneira – pela graça de Deus – você possa dar um passo à frente. Frustração é algo poderoso, mas não tem que necessariamente derrubá-lo. Na realidade, ela pode ser até mesmo a sua melhor amiga; basta apenas ter a habilidade de retirar dela o que ela oferece de melhor.
Nélio DaSilva

Para Meditação:
…porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca vem o conhecimento e o entendimento.  Provérbios 2:6