segunda-feira, 15 de outubro de 2012

REINVENTANDO


Se a única ferramenta que você tem é um martelo, sua tendência será tratar todas as coisas como se elas fossem um prego.  Abraham Maslow
Reinvenção é uma palavra típica da atualidade. Ela tem o seu lugar e a sua significação. De vez em quando você precisa separar um tempo em meio à correria para uma “reinvenção” da sua vida. Algumas perguntas são extremamente pertinentes nessas ocasiões. Perguntas como: “Estou caminhando na direção certa?” “O que realmente desejo desta vida?” “Tenho estabelecido alvos pessoais, financeiros e espirituais? O que preciso mudar em minha vida? 

É muito fácil se tornar um escravo da rotina ao viver debaixo do mesmo padrão dia após dia, sem a capacidade de estabelecer alvos apaixonantes e desafiadores para a sua vida. São muitas as pessoas que se assemelham a alguém que dirige um veículo numa estrada lamacenta. As rodas se movimentam, mas não há progresso porque não há propulsão para a frente. Cria-se movimento, mas não um movimento de avanço, e logo da-se conta de que existe apenas uma mínimo de progresso em direção a um sonho. 

Existem muitas coisas nessa vida que estão acima do seu controle, mas reinventar-se é algo que você pode fazer e está sob seu controle. Deus deu a você a liberdade de tomar decisões que podem trazer benefícios incríveis à sua vida. É necessário, porem, que você esteja aberto a mudanças, corajosamente disposto a crer num futuro melhor. Não permita que a sua vida ganhe a tediosa cor cinzenta. Se a reinvenção é importante em diferentes níveis, como no governamental, nos negócios, etc., ela se torna, porem, muito mais atraente no terreno pessoal. Considere a sua reinvenção pessoal…hoje!
Nélio DaSilva

Para Meditação:
E eu, Senhor, que espero? Tu és a minha esperança.  
Salmos 39:7


QUAL SEU PROPÓSITO NA VIDA?


Por Flitz Klumpp

“Você parece ótimo!” – foi o que meu treinador de corrida no curso secundário me disse. “Se ao menos você não corresse tanto no mesmo lugar!” Esta era sua maneira sarcástica de me dizer que, como alguém sentado numa cadeira de balanço, meu estilo de corrida exibia muita atividade, mas quase nenhum progresso. Para muitos de nós a vida tende a apresentar-se assim. Estamos muito ocupados, mas o que temos realizado? Se realizamos pouco, por que continuamos a fazer as mesmas coisas que temos feito?

Sinto-me fascinado pela vida do homem mais sábio que já viveu: rei Salomão, filho de Davi e terceiro rei de Israel. Ele reinou no século X, AC, governando durante a era de ouro em Israel. Apesar das espantosas realizações e notoriedade, o resumo de sua vida, da perspectiva de seus últimos dias, foi que “É tudo vaidade (sem sentido)” (Eclesiastes 1.2,14).

Olhando para Salomão e tudo quanto ele alcançou durante sua célebre existência, não posso deixar de perguntar: “Como alguém que começou tão bem, e fez tantas coisas, pode chegar ao final da vida e concluir que o que realizou não fazia sentido?”

Muitos começaram idealisticamente fazendo algo que sentiu daria significado à sua vida, para depois se desiludir. Tenho observado isto em muitos que começam carreiras militares. São idealistas e pensam que podem ajudar a realizar coisas importantes, mas a realidade da guerra os leva à decepção. A resultante perda de propósito pode contribuir para o transtorno do estresse pós-traumático (PTSD, em inglês). O mesmo tipo de decepção é experimentado por pessoas envolvidas com a política e o mercado de trabalho.

Todos desejam que a vida valha a pena; todos desejam uma vida significativa. Sempre penso na afirmação do filósofo Blaise Pascal sobre o “vazio com forma de Deus”, que existe no coração de cada pessoa, um vazio que somente Deus pode preencher. John Maxwell, na "Bíblia da Liderança Maxwell", se refere a outro vazio: vazio com forma de vida, que somente pode ser preenchido por uma missão na vida.

A conclusão de Salomão que “tudo é inútil, é correr atrás do vento” (Eclesiastes 1.14), diz respeito ao trabalho feito “debaixo do sol” (Eclesiastes 4.7). Se o propósito para a vida não pode ser encontrado “debaixo do sol”, então precisamos procurá-lo em outro lugar: olhar na direção do céu! Se queremos encontrar verdadeiro significado e propósito, precisamos olhar para o próprio Deus.

Meu amigo e mentor de longa data, Joe Coggeshall, me desafiou durante anos a escrever uma “declaração de propósito de vida”. “Companhias de sucesso têm uma declaração de propósito ou missão”, ele me dizia. “Por que você não pode ter a sua?” Finalmente aceitei o desafio e, desde então, descobri que considerar e por em palavras meu propósito na vida, transformou-se numa bússola que me permite rejeitar o bom em favor do melhor.

Na versão Amplificada, Paulo escreve:“(Porque o meu firme propósito é) que eu possa conhecê-lo (a Jesus Cristo) – [que eu possa progressivamente conhecê-lo pessoalmente mais profunda e intimamente, percebendo e reconhecendo e compreendendo as maravilhas de Sua pessoa mais forte e claramente]” (Filipenses 3.10). No que diz respeito a propósito de vida, este me parece bem razoável.

Qual é o seu propósito? Por que você faz o que faz?

Se você não tem uma declaração de propósito de vida, por que não faz uma?

Próxima semana tem mais!

Fritz Klumpp e sua esposa, Ann, vivem em Ashland, Virgínia, EUA. Ele foi piloto da Marinha Americana, serviu durante a Guerra do Vietnã, aposentou-se depois de uma carreira como piloto na Delta Air Lines. Foi durante vários anos diretor executivo do CBMC-USA e atuou no ramo imobiliário. Seu web site é www.fritzklumpp.com. Tradução de Mércia Padovani. Revisão e adaptação de J. Sergio Fortes.
MANÁ DA SEGUNDA® é uma refelxão semanal do CBMC - Conecting Business and Marketplace to Christ, organização mundial, sem fins lucrativos e vínculo religioso, fundada em 1930, com o propósito de compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo com a comunidade profissional e empresarial. © 2009 - DIREITOS RESERVADOS PARA CBMC BRASIL


domingo, 14 de outubro de 2012

A SOCIEDADE PEDE E A IGREJA ATENDE


revista / edicao 336 / a-sociedade-pede-e-a-igreja-atende
    
A sociedade permissiva não gosta de normas nem de limites. Ela deseja plena liberdade para pensar como quiser e fazer tudo o que quiser. É um comportamento histórico. Começa no início da história humana, quando o único limite imposto pelo Criador -- “Você pode comer as frutas de qualquer árvore do jardim, “menos” da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal” (Gn 2.16) -- não é levado a sério.

Deus sempre levanta homens e mulheres para preservar o ser humano do mau uso da liberdade, para lembrar-lhe das normas protetoras de sua segurança e felicidade. Esses vocacionados são considerados incômodos, desnecessários e intrometidos. Não poucas vezes são caluniados, desprezados e perseguidos, quando não silenciados pelo martírio. Essa é a história do profetismo.

Um exemplo notável dessa resistência está no livro de Isaías, que viveu e ministrou 750 anos antes de Cristo. O povo rebelde não quer ser incomodado nem atravancado pelos profetas. Então lhes dizem com toda falta de educação: “Não nos anunciem a verdade; inventem coisas que nos agradem. Deem o fora! Parem de nos amolar!”.

Eles preferem a ficção ao fato, a mentira à verdade, a ausência à presença dos profetas. Isaías não se deixa intimidar e retruca, transmitindo o recado de Deus: “Vocês rejeitam a minha mensagem e põem a sua confiança e a sua fé na violência e na mentira. Portanto, esse pecado vai trazer a ruína para vocês; ela será como uma brecha que vai se abrindo num muro alto; de repente, o muro desmorona e cai no chão” (Is 30.8-13).

A sociedade pós-moderna se porta do mesmo jeito e diz assim:
Não nos falem de Deus.
Não mencionem a palavra “pecado”, muito menos a palavra “culpa”.
Não condenem o consumismo, pois sem ele ninguém se realiza, ninguém se satisfaz e as rodas do comércio e do progresso param.
Não venham com esta história de que o casamento dura para sempre e que é só entre um homem e uma mulher. Por que não poderia ser entre um homem e outro homem, uma mulher e outra mulher?
Não nos incomodem com a questão do aborto; cada mulher tem o direito de não levar adiante uma gravidez indesejada.
Não digam essas bobagens sobre sexo pré-conjugal, sexo extraconjugal e sexo conjugal. Vocês estão criando pessoas neuróticas. O sexo é um só, independente do casamento, de promessas, de alianças e de registro em cartório.
Não dificultem a pedofilia e acabem com esta restrição do sexo com adolescentes e com crianças. O que faz mal à criança não é o nosso interesse por ela, mas o escândalo que vocês fazem.
Se vocês querem o nosso assentimento, inventem coisas que nos agradem. Deixem-nos sem senso de culpa, sem remorso, sem a necessidade da humilhação que o arrependimento produz. Temos uma doutrina, a doutrina do foro íntimo. Ele nos é suficiente. Não precisamos de ninguém para nos dizer o que é certo ou errado. Não somos crianças. A nossa consciência nos basta, não precisa da intervenção de vocês. Soltem nossas rédeas, deixem-nos em paz, deixem que todas as coisas fiquem como estão agora.
Para falar a verdade, fechem as igrejas, queimem suas Bíblias, destruam os seus púlpitos e aposentem os seus ministros!
Não nos amedrontem com a velha história de que estamos abrindo uma brecha em um muro alto e que, por causa dela, o muro vai desmoronar. Mesmo que tal aconteça, preferimos isso a perder nossa liberdade de fazer tudo o que nos “der na telha”!

Por não suportarem a pressão, teólogos e pregadores estão atendendo ao clamor das multidões. Quando não se omitem, pregam outro evangelho. Eles são corresponsáveis pela brecha cada vez maior que provocará a queda do muro de proteção da verdadeira felicidade!

sábado, 13 de outubro de 2012

COMO POSSO TER MINHAS ORAÇÕES RESPONDIDAS POR DEUS?

Pergunta: "Como posso ter minhas orações respondidas por Deus?"

Resposta: 
Muitas pessoas acham que “oração respondida” é quando Deus concede o que foi pedido em uma oração a Ele oferecida. Se um pedido de oração não é concedido, geralmente se entende que a oração não foi respondida. Contudo, isto não é um correto entendimento em relação à oração. Deus responde cada oração que a Ele é elevada. O que devemos nos lembrar é que às vezes Deus responde “não” ou “espere”. Deus somente promete conceder o que pedimos em oração quando pedimos de acordo com Sua vontade. I João 5: 14-15 nos diz: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos.”

O que significa orar de acordo com a vontade de Deus? Orar de acordo com a vontade de Deus é orar por coisas que honram e glorificam a Deus e/ou orar por coisas que a Bíblia claramente revela serem da vontade de Deus que tenhamos. Se orarmos por coisas que não honram a Deus ou que não sejam da vontade de Deus para nossas vidas, Deus não nos dará o que pedimos. Como podemos saber qual a vontade de Deus? Deus promete nos dar sabedoria quando por ela pedirmos. Tiago 1:5 proclama: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” Familiarize-se com o que diz a Bíblia sobre a vontade de Deus para sua vida. Quanto mais entendermos a Palavra de Deus, melhor saberemos o que pedir. Quanto mais soubermos o que pedir em oração, mais efetiva será nossa vida de oração.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

É OBEDECENDO QUE SE APRENDE A OBEDECER

Valdir Steuernagel

Na hora em que Pedro chegou em casa naquele dia, sua esposa viu que algo extraordinário havia acontecido. Antes mesmo que ele dissesse uma palavra, seu olhar e a expressão do rosto já revelavam que se tratava de algo forte e inusitado. “Você não imagina o que aconteceu!” -- ele foi dizendo. E ela já sabia que isso significava muito mais do que uma boa pescaria. “A pescaria foi um desastre! Mas aí, sabe Jesus, aquele pregador novo sobre o qual andam falando? Quando íamos lavar as redes, todos de mau humor, ele apareceu e nos mandou ir pescar novamente.” “E você foi?” -- ela tentou entrar na conversa. Porém, ele já explicava que, sei lá por que, quando se deu conta, já estava embicando o barco novamente para o lago. “E deu nisso aí!” -- disse, apontando para o cesto cheio. Na verdade, ela nem lembrava quando foi a última vez que ele trouxera tanto peixe bonito para casa. Entretanto, hoje isso nem parecia muito importante. 

O mais importante mesmo estava por acontecer. E Pedro continuou, empolgado: “O pregador começou a falar de um outro tipo de pescaria e nos desafiou a andar com ele. Fez até um trocadilho, dizendo que deixaríamos de ser pescadores de peixes para ser pescadores de gente. Depois disse que era importante buscar a grandeza, a realidade e a esperança do reino de Deus...”. E ele, Pedro, mesmo sem entender tudo o que tinha ouvido, ao olhar nos olhos de Jesus percebeu que sua vida estava mudando naquele instante. E agora, olhando nos olhos da mulher, percebia o quanto ela estava assustada. Antes que ele terminasse a história ela já intuía que a vida deles iria sofrer uma reviravolta radical, o que se confirmou quando ouviu o marido dizer: “... e eu já falei para pai arrumar outra pessoa para tocar o barco, pois eu vou me juntar ao grupo que vai andar com Jesus”. “O que foi que você fez?” -- ela ainda balbuciou, enxugando uma lágrima que insistia em molhar seu rosto, em um disfarçado esforço de mostrar aos dois pequenos, agarrados às suas pernas, que estava tudo bem. 

A vocação precisa se materializar em ação! 
Há nos Evangelhos diversos textos que relatam como Jesus chamou um grupo de discípulos para andar com ele. Nesta edição nos detemos em Marcos 3.13-19, onde se vê como o grupo é formado e a vocação delineada. Hoje lemos esses textos com uma naturalidade desconcertante e perdemos de vista não só a novidade do fato como as consequências do chamado de Jesus. Cada um dos que foram chamados tem uma teia de relações à qual precisam voltar e se explicar. Cada um deles tem uma forma de viver, inclusive de sustento familiar, que precisa ser equacionada e reorientada rumo a um futuro que é, ao mesmo tempo, uma promessa e uma incógnita. Pedro é um dos que “arrastaram seus barcos para a praia, deixaram tudo e o seguiram” (Lc 5.11). A vocação precisa ser colocada em prática. É assim que ela adquire contornos de obediência. 

A vida de Pedro e sua família nunca mais foi a mesma depois do encontro com Jesus. Não se sabe exatamente o que aconteceu com eles, mas Paulo diz que Pedro levava a esposa em suas andanças missionárias (1Co 9.5) e a tradição nos conta que ele morreu crucificado em Roma. Segundo o filósofo cristão Orígenes (185-253 a.C.), ele pediu para ser crucificado de cabeça para baixo e foi atendido. Os Evangelhos dão informações significativas sobre ele e mostram como a sua vocação foi se traduzindo em obediência rumo à “plenitude de Cristo”. 
Desde o dia em que foi chamado até a crucificação de Jesus, Pedro parece ter brigado com essa vocação e com a forma como Jesus entendia o seu próprio ministério. Mesmo tendo andado com Jesus, foi no contexto da crucificação que ele percebeu claramente o que o Mestre havia dito e proposto fazer, e para quê ele havia sido chamado. É diante da crucificação que ele se depara com a sua maior vulnerabilidade e fraqueza; e é diante do enigma da ressurreição que ele parece sucumbir à tentação de voltar ao seu antigo mundo. Durante todo esse tempo Pedro se revela, ora como um esfuziante seguidor de Jesus, ora como seu questionador. Chorando, vive na cruz a vergonha de havê-lo traído. E, ao olhar para ele, vemos a nós mesmos em nossas “bipolaridades espirituais”, nas quais nos enrolamos nas curvas da nossa obediência vocacional, ora querendo conquistar o mundo para Cristo, ora escondidos nos emaranhados das nossas prioridades, respostas e becos sem saída. 

Mas a história de Pedro não acaba assim. Quando isso parece ter acontecido e ele, acabrunhado, encontra-se novamente com as redes vazias (Jo 21), é Jesus quem vem de novo ao seu encontro. Enche-lhe a rede de peixes, convoca-o novamente para segui-lo e lhe faz uma nova pergunta, que afinal é a pergunta fundamental: “Simão, filho de João, “tu me amas”?” E assim começa um novo capítulo em sua vida. Quando ele balbucia uma resposta e diz “Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo” (Jo 21.17, 18), sabe que nunca mais será o mesmo. Agora o seu vínculo de obediência a Jesus passa pela declaração de amor. Uma declaração de amor que se transforma em obediência pastoral e missionária quando Jesus lhe diz: “Cuida das minhas ovelhas” e “Vai e faze discípulos”. Agora Pedro está vocacionalmente diplomado, pois sabe que ama de fato aquele que o chamou para segui-lo e ser dele. Como diz Walter Wangerin, a obediência é a nossa expressão de amor a Deus. Você sabia disso? 

• Valdir Steuernagel é teólogo sênior da Visão Mundial Internacional. Pastor luterano, é um dos coordenadores da Aliança Cristã Evangélica Brasileira e um dos diretores da Aliança Evangélica Mundial e do Movimento de Lausanne.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

VISÃO REVELADA


Algo maravilhoso ocorre quando decidimos renunciar àquilo que somos para nos tornar tudo aquilo que podemos ser.  Emerson
Talvez você não se considere uma pessoa visionária. Contudo, ainda assim certamente você tem uma visão. Essa visão é preciosa. Por quê? Porque ela é sua, e ninguém pode retirá-la de você. Chances muito fortes existem, mas você só poderá conhecê-las melhor e se aprofundar com maior intensidade em sua visão mediante as frustrações que a vida lhe impuser. 

A frustração surge quando a realidade não combina com suas expectativas. Ela acontece quando você reconhece, lá no fundo do seu ser, que deve haver um caminho melhor que o colocaria diretamente em contato com sua visão. 

Na sua frustração a sua visão é revelada. No entanto, espere! Há algo mais. É também na sua frustração que você tem a oportunidade de ser consolado e alimentado por Aquele que sabe como ninguém o que é realmente sofrer. Ouça aquilo que a sua frustração está tentando lhe dizer, e permita que a graça, o poder e a misericórdia de Deus lhe dêem a força necessária para caminhar altaneiramente em busca dos seus sonhos.
Nélio DaSilva

Para Meditação:
Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não há gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.  Habacuque 3:17,18


VAMOS VOLTAR A "PECAR" BIBLICAMENTE

Bráulia Ribeiro

Ouve-se por aí que o cristianismo inventou o pecado. Não pode haver mentira maior. A noção de errar o alvo, de macular o sagrado, de vandalizar o “shalom” no qual deveríamos estar vivendo, sempre esteve conosco. Todas as religiões do mundo comportam definições, razões e características para o pecado. Filósofos pré-cristãos, como Platão e Aristóteles, lidaram com a ideia. Portanto, o pecado não é uma invenção cristã, como querem alguns detratores mal-informados.
É parte da condição humana o julgar-se a si mesmo, o estabelecer ideais para a vida e para o comportamento moral dos indivíduos. O saber-se pecador não torna ninguém pior, antes, o torna capaz de fazer mudanças. Assisti, recentemente, ao filme “We need to talk about Kevin”. Tilda Swinton representa a mãe de um adolescente que se torna um assassino em massa. O filme narra o terror da mãe vendo o filho crescer sem consciência moral. A definição clássica de “sociopata” é esta: alguém que não é capaz de sentir dor, arrependimento, nem qualquer tipo de reação pelo mal que causa. O sociopata é o cara “sem pecado”.
A noção de pecado também não faz mal à sociedade. Toda sociedade humana impõe limites morais à ação de seus indivíduos. Toda sociedade humana tem algum tipo de definição de moralidade sexual, por exemplo. Uma de nossas tristes descobertas na Amazônia foi que o nível de promiscuidade das comunidades indígenas estava diretamente ligado ao seu desejo de autoextermínio.
Uma comunidade Nawa entre o Brasil e o Peru, por exemplo, que à primeira vista tinha um conceito muito fluido de família e cuja permissividade total afetava as crianças e até mesmo os animais que criava, revelou-se, num estudo mais cuidadoso, ser uma sociedade suicida. A tribo sofreu, durante anos, violentos estupros em massa, a marca registrada de seu contato com os “brancos”. Os homens não se respeitavam porque não foram capazes de proteger suas mulheres. As mulheres não conseguiam amar os filhos do ódio, nem a si mesmas. O desespero existencial tomou conta da tribo. O sexo perverso, arma de guerra usada contra o povo para conduzi-lo à subserviência, era então usado pelo próprio povo para produzir autoaniquilação. A família -- e as noções de restrição sexual que a acompanham -- representa a sobrevivência do povo. Ao abandonar-se a família, abandona-se a vida. O sexo irrestrito é suicídio generacional.
Qualquer semelhança com o desprezo que a sociedade ocidental contemporânea tem por si mesma e com a maneira como está pretendendo eliminar qualquer noção de moralidade sexual não é mera coincidência.
A diferença, porém, entre o pecado cristão e os outros é grande. Na Bíblia, o pecado nos nivela a todos por baixo. Seres humanos são caídos, não importa nossa posição social ou religiosa. Precisamos igualmente da graça. Não há quem escape à condição de dependente da graça. Não há oferta milionária que nos torne mais dignos na presença de Deus.
O pecado bíblico tem consequências terríveis, aqui e no além. O pecado bíblico dói em nós e no Deus que nos criou. Quando transo fora do casamento, não estou atendendo uma necessidade “legítima”. Quando falo mal do irmão, não há “causa nobre” que me justifique. Quando tiro o que não é meu, não é uma “bênção” que recebi. É pecado. Pecado gera morte.
Nosso cristianismo precisa ressuscitar a noção de pecado. Há pecado, sim, do lado de baixo do Equador. Sem atentarmos para a seriedade do pecado não há como amarmos a graça. O cristianismo não inventou a culpa; ela faz parte da nossa condição humana. O cristianismo inventou o perdão. Mas por que graça e perdão, se minimizarmos a noção de pecado?

• Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona com sua família e está envolvida em projetos de tradução da Bíblia nas ilhas do Pacífico. É autora de Chamado Radical.
braulia_ribeiro@yahoo.com