terça-feira, 17 de julho de 2012

SEGUINDO EM FRENTE


Você ou pode conviver com seus problemas, reclamar deles e permitir que o arrastem para baixo; ou pode se levantar, fazer alguma coisa a respeito deles e se posicionar mediante uma atitude melhor e mais produtiva.  Mike Malone
Quando surge um problema, você faz um esforço real para encará-lo de frente e superá-lo, ou se resigna e se entrega, ficando à mercê da aflição que ele provoca em você? Pode parecer fácil a curto prazo permitir que problemas se empilhem, mas vai chegar um momento em que eles vão martirizá-lo num nível insuportável. 

Faça hoje um bem enorme a si mesmo: encare com coragem aquilo que o está levando para baixo, e faça alguma coisa a respeito. Claro que isso vai exigir um esforço extra da sua parte. É inclusive óbvio que será mais fácil deixar as coisas da maneira em que estão. No entanto o esforço, a dedicação e o disciplinado empenho com que você vai lutar para resolver o problema trará preciosos benefícios hoje, no próximo mês e nos anos que hão de vir. 

Os problemas que você está enfrentando podem parecer difíceis e bastante desconfortáveis. Essa é mais uma razão para tentar superá-los o mais rapidamente possível. Confiado no poder e na graça de Deus, enfrente-os, peça ajuda, compartilhe com amigos leais, não se isole e você verá a sua vida ganhar uma nova riqueza, com brilho e segurança.
Nélio DaSilva

Para Meditação:
Por isso restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazei caminhos retos para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado. Hebreus 12:12-13


Parece, mas não é...


revista / edicao 336 / parece-mas-nao-e
colunas — da linha de frente


O que dizer de Edir e Valdemiro e sua guerra religiosa? Preocupo-me quando vejo a reação de cristãos ao que está acontecendo com eles. O que deu errado? Edir e Valdemiro são anomalias ou espelho de quem somos? Se o comportamento deles é estranho, incompatível com o restante da cultura evangélica, o afastamento se justifica. Se é espelho do que somos, existe uma correção de rumo a ser feita. 

Tanto Edir quanto Valdemiro têm um número enorme de seguidores oriundos das classes C e D. Vêm do catolicismo nominal ou das práticas espíritas ou afrobrasileiras. São atraídos pelo apelo ao sobrenatural, à cura, à libertação de tormentos diabólicos. São nutridos por uma cultura religiosa semelhante àquela de onde saíram, baseada em trocas, negociações com a divindade e parafernália simbólica. 

É mentira o que Edir e Valdemiro pregam por todo o país? São eles enganadores da população fragilizada pela necessidade econômica? Se fizermos coro com a mídia, acusando-os de enganadores dos pobres, concordamos com dois conceitos perigosamente anti-Cristo. O primeiro é o de que a mensagem de cura, libertação e vida melhor na terra pro meio de Cristo -- a prática e a moral cristã -- é um engano. Se dissermos que eles não passam de charlatões, afirmamos que a fé cristã que propõem é falsa. Para a cosmovisão vendida pelas duas igrejas ser considerada falsidade ideológica, as promessas feitas têm que ser falsas: curas não vão ocorrer em nome de Cristo, demônios não existem e a prosperidade só acontece para pastores e bispos, mas não para o simples acólito.

Outro conceito que nutrimos ao combater Edir e Valdemiro é o da fragilidade e ignorância do pobre. O pobre é sempre um “coitado”, uma vítima -- indefeso e facilmente ludibriado. A Bíblia nos ensina a ter compaixão do pobre, mas não nos propõe sua desumanização. Pobre é gente, e gente tem acesso direto a Deus quando o busca. Gente, no sentido bíblico, nunca é mera vítima. Ser “imago Dei” não é privilégio da classe média bem informada. “Imago Dei” somos todos nós. 

Se a Universal e a Mundial ludibriam o pobre, partidos populistas também o fazem. Se Edir é charlatão, também o são Lula e Dilma, com promessas grandiosas, seduzindo os pobres com propostas paternalistas. A atitude do PT com o pobre é tão messiânica quanto a da religião de Macedo e Santiago.

Eles não são ludibriadores da massa vitimizada, pois nem o que pregam é mentira nem a massa é vítima de nada, mas contribuidora voluntária com o que acredita ser a solução para os problemas dela. O sistema financeiro criado por eles, no entanto, fere princípios importantes do evangelho. Eles agem de maneira desonesta e tiram mais proveito pessoal do que deveriam da gratidão e da fé das pessoas. Macunaímas da fé, lhes sobra carisma e falta caráter.

Precisamos contribuir com o diálogo nacional sobre o assunto de maneira positiva. Enquanto a mentira, a ganância, o narcisismo, a autoglorificação e o caráter corrupto de líderes nos forem tão nojentos quanto o construto religioso que ofende a nossa sã doutrina, teremos uma proposta para o diálogo brasileiro hoje. Precisamos de mais caráter e menos guerra. A busca por mais caráter, porém, tem que passar invariavelmente por um olhar na direção do próprio umbigo. 

• Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona com sua família e está envolvida em projetos de tradução da bíblia nas ilhas do Pacífico. É autora de Chamado Radical.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

SIMPLESMENTE ADMITA


Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim...Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado.  Rei Davi
Admita que você está apavorado, e você crescerá em coragem. Admita que não tem conhecimento, e você aprenderá. Admita as suas fraquezas, e você se tornará mais forte. Admita seus erros, anulando toda e qualquer tentativa de lançar culpa em alguém, e você crescerá numa perspectiva nova e positiva.

Admita que está confuso, e você começará a alcançar entendimento. Admita que está ferido, e você irá experimentar o início da cura. Admita que você não sabe o que fazer, e em breve você estará fazendo o que realmente deve fazer. Admita que você não sabe o que dizer, e logo você estará dizendo a coisa certa.

Ser honesto consigo mesmo, com outros e com a vida pode ser algo difícil e intimidador. Não existe contudo nada que possa atingir mais positivamente o coração de Deus do que o fato de nos desarmarmos completamente diante dele, concordando com Ele a respeito daquilo que realmente somos. Faça um bem enorme a você no dia de hoje: simplesmente admita.
Nélio DaSilva

Para Meditação:
O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia. Provérbios 18:13

Eu odeio você!


revista / edicao 336 / eu-odeio-voce
colunas — casamento e família
    
Às vezes me pergunto como é possível um cônjuge dizer ao parceiro a frase acima poucos anos depois de terem jurado amor eterno um ao outro.

Na verdade, o que ocorre é que cada um espera que o outro se amolde ao seu estilo de vida, e isso não acontece. Além disso, as diversas tentativas de estabelecer acordos para uma convivência harmoniosa fracassam e geram um sentimento de amargura, que se transforma facilmente em agressão.

Fantasiamos que podemos mudar o outro e transformá-lo “à minha imagem e semelhança”, mas isso é uma grande ilusão. O outro é único e singular e possui uma forma particular de perceber e interagir com a realidade, que é distinta da minha. Isso é denominado por Ricouer1 de “ipseidade”.

No afã de transformar o outro, as tensões aumentam e as frustrações também; até o ponto em que “o pior sai de dentro de nós mesmos”. Ofendemos o nosso cônjuge com palavras que pensamos que jamais falaríamos um dia. E o pior é que as palavras uma vez proferidas não retornam à nossa boca. Um sistema de queixas se instala no relacionamento e a ideia sempre presente é a de que tudo seria mais fácil se o outro mudasse.

Nesta terceira etapa do relacionamento (veja nas edições anteriores as características da primeira e segunda etapas) também estão presentes uma série de jogos manipulativos e ameaças silenciosas com o intuito de que o outro se torne a pessoa que eu imagino que deva ser e cumpra a promessa de me fazer feliz. Muitos utilizam o sexo ou o dinheiro para manipular o cônjuge, o que produz apenas um maior afastamento.

Em geral, buscam um aliado -- um amigo, o pastor, um conselheiro --, que está envolvido no processo, na tentativa de que essa terceira pessoa convença o cônjuge a mudar.

O grande desafio do relacionamento conjugal é a busca da criatividade. Gerar harmonia a partir de duas pessoas únicas e singulares e fugir da fantasia de que podemos mudar o outro é tarefa do Espírito Santo e não nossa. O que podemos e devemos fazer é incrementar o diálogo na busca de alternativas que sejam boas para ambos. Um diálogo de escuta aberta e tranquila, e não uma conversa “armada”, na qual não se permite que o outro sequer complete sua ideia e fale tudo o que deseja, para que só então eu lhe responda.

Um diálogo em que, antes de eu tentar convencer o outro de que estou certo e ele, errado, tente me perguntar: “Por que esta outra pessoa, que é inteligente, capaz, com tantas qualidades e a quem eu amo entende esta situação de forma tão diferente de mim?”. Assim amplio minha percepção da realidade e, por conseguinte, enriqueço-me, pois ter duas perspectivas a respeito de um determinado tema é sempre melhor que ter apenas uma.

Por fim, é necessário compreender que o outro não é, não pode e não deve ser conforme a minha imagem. Antes, na singularidade está registrada a multiforme beleza da criatividade do Pai, que é infinitamente maior que nossas limitadas capacidades de conceber a realidade e que se expressa na multiplicidade de percepções de suas criaturas.


Nota


1. RICOEUR, Paul. O único e o singular. São Paulo: UNESP, 1999.


• Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. Catito é autor de Como se Livrar de um Mau Casamento e Macho e Fêmea os Criou, entre outros.



domingo, 15 de julho de 2012

Estudando a palavra: semana 29


15/07 Domingo: 1Coríntios 4; 1Reis 17; Amós 1.

16/07 Segunda-feira: 1Coríntios 5; 1Reis 18; Amós 2.1–3.2.

17/07 Terça-feira: 1Coríntios 6; 1Reis 19; Amós 3.3–4.3.

18/07 Quarta-feira: 1Coríntios 7.1-24; 1Reis 20; Amós 4.4–13.

19/07 Quinta-feira: 1Coríntios 7.25-40; 1Reis 21; Amós 5.

20/07 Sexta-feira: 1Coríntios 8; 1Reis 22; Amós 6.

21/07 Sábado: 1Coríntios 9; 2Reis 1-2; Amós 7.

Como ler a Bíblia?

Não há um método certo, ou uma maneira correta para ler a Bíblia. Por se tratar de um livro considerado sagrado, propomos a você uma experiência de fé:

Converse com Deus antes de ler. Ore pedindo que ele esclareça em sua mente e coração o que você vai ler.
Em seguida, procure na sua Bíblia as leituras propostas para o dia. Leia atentamente, anote o que você não entender e grife o que te chamar atenção. Lembre-se de procurar um(a) pastor(a) ou pessoa mais experiente na fé para tirar suas dúvidas.
Ao final, ore novamente, agradecendo a Deus pela oportunidade de ter acesso à sua palavra. Aproveite para orar por pessoas e situações que você se recorde.
Você pode seguir esse roteiro de três maneiras: sozinho, com sua família ou com amigos. O importante é que ao final de um ano, você conclua a leitura de toda a Bíblia.

Como localizar uma referência na Bíblia?

Toda Bíblia possuí um índice que leva ao início de cada livro. Todo livro é dividido em capítulos, e os capítulos em versículos. Quando você ver, por exemplo, a referência Lucas 8.25, vá até o índice de sua Bíblia, localize o livro de Lucas. Vá até a página inicial do livro, localize o número maior 8, referente ao capítulo e o número menor 25, referente ao versículo. Pronto, você chegou a Lucas 8.25.

Pacto de oração

Campo Missionário em Rio Branco, AC – pelo Rev. Joaquim Francisco Ribeiro Neto, sua esposa Reva. Jaqueline Regina Paes Ribeiro, principalmente por sua saúde, e seus filhos Alexandre e Andrei; pela Missionária Sandra de Matos e seus familiares; pelos novos visitantes para sua compreensão do plano de Deus em suas vidas e que sintam-se bem em nosso meio; pelo planejamento de atividades concernentes a construção do templo; pela vida de irmãos e irmãs que firmaram sua Aliança da Graça através do Batismo e Profissão de Fé.

Gritos de socorro


revista / edicao 336 / gritos-de-socorro


"Vivo o tempo todo no limiar da derrota."
Eugene Peterson

Eugene Peterson, 80 anos, professor emérito de teologia da espiritualidade no Regente College, em Vancouver, Canadá, é autor de vários livros e de uma paráfrase contemporânea da Bíblia, intitulada “A Mensagem”, publicada no Brasil pela Editora Vida.

Além de confessar que vive “o tempo todo no limiar da derrota”, Peterson é suficientemente honesto para acrescentar: “Coloco todos os dias o amor em risco. Não há nada em que eu seja pior do que em amar. Saio-me muito melhor na competição que no amor. Sou muito melhor em responder a meus instintos e ambições de ir na frente e deixar minha marca do que em entender como amar meu semelhante. Estou treinado e preparado em habilidades egoístas, em fazer coisas à minha maneira” (“Um Ano com Eugene Peterson”, p. 35).

Por causa desse risco e de muitos outros, que variam de pessoa para pessoa, não há quem não precise fazer orações diferentes daquelas que fazemos normalmente. Elas seriam como gritos de socorro, orações humildes, precisas e até mesmo radicais. Elas são necessárias em vista da natureza humana que nunca muda. Estamos sempre sujeitos a impulsos pecaminosos, que vêm, vão e voltam. Não se pode negar nem subestimar as “forças espirituais do mal que vivem nas alturas” (Ef 6.12). Vez por outra nos encontramos em uma circunstância sufocante. A soma dos acontecimentos nos leva ao chamado “dia mau” (Ef 6.13), quando a batalha entre a carne e o Espírito toma grandes proporções.

Todos temos capacidade positiva (quando ela nos conduz para o bem) e capacidade negativa (quando ela nos conduz para o mal). Somos capazes de realizar coisas incríveis de um lado ou de outro. Temos coragem tanto para entregar nosso corpo para ser queimado em benefício do nome de Jesus quanto para negar o nome dele em sua presença e no momento em que ele mais precisa de nós.

Uma pessoa pode assassinar o próprio irmão por causa de uma explosão de inveja, a exemplo de Caim (Gn 3.10). Pode matar toda a população masculina de uma cidade por causa de uma explosão de vingança, a exemplo de Simeão e Levi (Gn 34.25). Pode roubar uma bela capa babilônica, 200 barras de prata e uma barra de ouro por causa de uma explosão de ganância, a exemplo de Acã (Is 7.21).

A falta de domínio próprio na área da sexualidade levou os homens de Sodoma, “tanto os moços como os velhos”, a cercar a casa de Ló para ter relações sexuais com os anjos que ele hospedava (Gn 19.4-5). Levou Rubem a deitar-se com a mãe de Dã e Naftali, seus irmãos por parte de pai (Gn 35.22). Levou a mulher de Potifar a caluniar José, porque ele se negou a ir para a cama com ela (Gn 39.7-20). Levou Davi, o cantor de Israel, a deitar-se com Bate-Seba, esposa de Urias, um dos seus trinta valentes (2Sm 11.2-4). Levou Amnom a forçar e violentar Tamar, sua irmã por parte de pai (2Sm 13.10-14). Levou o cristão de Corinto a possuir a própria madrasta, o mesmo crime de Rubem (1Co 5.1). O apóstolo Pedro declara que os falsos mestres com os quais ele lidava agiam por instinto, como animais selvagens, e não podiam “ver uma mulher sem a desejarem” (2Pe 2.14).

De sã consciência, ninguém tem condições de dizer que pode dispensar as orações radicais de livramento. Principalmente aqueles que conseguiram, a duras penas, deixar o álcool, as drogas, a pornografia e a prostituição, quando tremendamente tentados a voltar à antiga dependência. Em meio a essa dura batalha, precisamos olhar para os montes e clamar: “De onde virá o meu socorro?” (Sl 121.1).

As orações radicais nunca serão feitas por pessoas presunçosas e autossuficientes, incapazes de admitir a sua fragilidade. Porém, quando reconhecem que não conseguem negar-se a si mesmas no “dia mau”, elas dobram os joelhos e fazem as tais orações:

Ó Deus, derrota-me! Destrona-me! Dobra-me! Esmaga-me! Submete-me! Vence-me! Amém e amém!



sábado, 14 de julho de 2012

A oração e a boa vontade de Deus


revista / edicao 336 / a-oracao-e-a-boa-vontade-de-deus


Para o cristão ainda indeciso quanto ao valor da oração, seis passagens bíblicas podem ajudá-lo a mudar de ideia e dedicar-se a esta prática.

Quando o jovem Salomão foi a Gibeão para oferecer sacrifícios ao Senhor, logo após ter subido ao trono de Israel, este lhe perguntou: “O que você quer que eu lhe dê?” (1Rs 3.5). Era Deus abrindo a porta da oração. Salomão não perdeu tempo e pediu sabedoria suficiente para governar o povo de maneira justa e bem-sucedida.

A oração não foi inventada pelo ser humano. A iniciativa da oração é de Deus. É isso que Jesus ensina no Sermão do Monte: “Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta se abrirá para vocês. Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate” (Mt 7.7-8).

As outras quatro passagens que mostram a boa vontade de Deus quando os crentes oram são:

Mateus 6.8 — “Antes de vocês pedirem, o Pai de vocês já sabe o que vocês precisam”.

Efésios 3.20 — “E agora, que a glória seja dada a Deus, o qual, por meio de seu poder que age em nós, pode fazer muito mais do que nós pedimos ou até pensamos”.

João 15.7 — “Se vocês ficarem unidos comigo, e as minhas palavras continuarem em vocês, vocês receberão tudo o que pedirem”.

Tiago 1.5 — “Se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos”.