sábado, 7 de julho de 2012

Jesus ora depois da morte de João Batista


 revista / edicao 336 / jesus-ora-depois-da-morte-de-joao-batista

Logo após darem sepultura ao corpo sem cabeça de João Batista (a cabeça fora tirada no cárcere, colocada em um prato, entregue a uma jovem chamada Salomé e levada para Herodias, amante de Herodes), seus discípulos foram ao encontro de Jesus e lhe contaram tudo. “Ao saber o que tinha acontecido, Jesus saiu dali num barco e foi sozinho para um lugar deserto” (Mt 14.13).

Essa volta ao deserto era para estar na presença de Deus de modo especial à vista do que havia acontecido com o filho de Isabel, parenta de Maria, e do sacerdote Zacarias. Além de parente, João Batista era o precursor de Jesus e o cumprimento da profecia de Isaías. Poucos dias antes, Jesus havia dito: “Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista” (Mt 11.11). Jesus foi atingido em cheio por esta violência cometida contra João e precisou estar a sós com Deus para orar. Daí a pequena viagem de barco atrás de algum descampado do outro lado do lago.

No entanto, o lugar não estava deserto. Uma grande multidão de sofredores o esperava na praia na esperança de ser socorrida por ele. Por estar também em sofrimento, Jesus teve compaixão deles e adiou o momento a sós com Deus. Ele gastou o dia inteiro ensinando, curando e alimentando aquelas pessoas (cerca de 5 mil homens, sem contar mulheres e crianças). Ao entardecer, Jesus despediu as multidões e “insistiu com os discípulos para que entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado” (Mt 14.22).

Então Jesus subiu sozinho a um monte para orar. Não se sabe o que ele falou com Deus. Talvez não tenha pedido nada. Talvez tenha apenas chorado e derramado o coração como água perante ele (Lm 2.19). Talvez tenha dado graças, pois mesmo abatido havia conseguido confortar a multidão. Talvez tenha agradecido pela vida e ministério de João Batista. Talvez tenha lamentado a miséria humana. O fato é que o período de oração não foi curto. Jesus orou do pôr do sol à meia-noite e da meia-noite à quarta vigília da noite (entre três e seis horas da manhã).

Ao sentir-se refeito, Jesus foi ao encontro dos discípulos, que já haviam remado cerca de cinco ou seis quilômetros. Ele foi andando por sobre a superfície líquida do lago da Galileia, o que os assustou. A oração bem feita é sempre um refrigério, que acalma e recompõe o coração de quem quer que seja. É possível relaxar durante a oração e depois dela.



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Jesus ora antes de escolher os doze apóstolos


revista / edicao 336 / jesus-ora-antes-de-escolher-os-doze-apostolos


Com incrível simplicidade, o Evangelho de Lucas informa que “num daqueles dias, Jesus saiu para o monte a fim de orar, e passou a noite toda orando a Deus” (Lc 6.12). Essa é a passagem mais explícita sobre o hábito de Jesus de passar uma noite inteira em oração. Embora tenha orado no deserto (no início de seu ministério) e no Getsêmani, um lugar cheio de plantas e oliveiras (no último dia de vida), segundo os relatos bíblicos, Jesus orava mais nas montanhas.

Por que Jesus, nessa passagem, passa a noite orando, sem dúvida sozinho, como das outras vezes? Como na manhã seguinte ele escolheria os doze apóstolos e pregaria o sermão da planície (uma provável repetição resumida do Sermão do Monte), tudo indica que o momento demorado de oração era o preparo necessário para as atividades que se iniciariam.
Além de precisar de auxiliares, Jesus precisava de testemunhas oculares de seu ensino, de seu ministério, de sua morte e de sua ressurreição e também de substitutos. De pessoas que estivessem com ele desde o batismo de João até o dia em que seria elevado às alturas (At 1.22). De pessoas que dessem continuidade à pregação de arrependimento e da chegada do reino dos céus. De pessoas convictas de sua ressurreição e dispostas a anunciá-la com entusiasmo e destemor.

Aquela manhã teria uma importância histórica enorme. O corpo docente e regente da igreja primitiva seria escolhido depois da noite de oração. Um dos apóstolos, Tiago, seria morto logo depois do Pentecostes. Pedro e João fariam os primeiros discursos e enfrentariam os primeiros desafios. Dois deles, Mateus e João, escreveriam o primeiro e o último Evangelhos (na ordem do Novo Testamento). O mesmo João escreveria as três cartas que levam o seu nome e o Apocalipse. Pedro escreveria duas cartas. Dos 260 capítulos do Novo Testamento, 86 (33%) seriam escritos por aqueles simples pescadores chamados para serem apóstolos. Pelo menos dois deles, segundo a tradição, seriam notáveis missionários transculturais: Tomé organizaria uma igreja cristã na Índia e Judas, filho de Tiago, morreria como mártir na Síria.

A partir daquela manhã, Jesus começou a unir em uma família doze homens de profissões e temperamentos diferentes. Um deles, Mateus, era cobrador de impostos; outro, Simão, o zelote, era membro de um partido político contrário ao pagamento de impostos. Um deles, Pedro, era otimista e outro, Tomé, pessimista, como lembra William Hendriksen.
Jesus sentiu necessidade de passar uma noite inteira em oração para escolher entre os discípulos doze para serem apóstolos. Talvez também para pregar o chamado Sermão da Planície, naquele mesmo dia e lugar: “Jesus desceu com eles e parou num lugar plano” (Lc 6.17). Apesar de não ter dormido na noite anterior!



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Jesus ora antes de iniciar seu ministério


revista / edicao 336 / jesus-ora-antes-de-iniciar-seu-ministerio

Imediatamente após o batismo e antes de iniciar o ministério, Jesus passa quarenta dias em jejum e oração no deserto. Para conciliar a narrativa de Mateus, segundo a qual a tentação teria acontecido depois dos quarenta dias (Mt 4.2), com as narrativas de Marcos e Lucas, segundo as quais ela teria acontecido durante os quarenta dias, conjectura-se que Jesus teria sido tentado o tempo todo e que as três tentações específicas seriam o clímax do processo.

Depois do batismo e da tentação, Jesus estava pronto para iniciar o ministério. O longo silêncio entre a apresentação no templo (Lc 2.21-40) e estes dois acontecimentos, interrompido apenas pelo encontro de Jesus, quando ele tinha 12 anos de idade, com os mestres do templo (Lc 2.42-50) durou trinta anos.

Quarenta dias de jejum, oração e tentação é um período muito longo (960 horas). Jesus foi levado ou impelido para o deserto pelo Espírito Santo (Mt 4.1; Mc 1.12; Lc 4.1). Lucas acrescenta que o Senhor estava cheio do Espírito (Lc 4.1). Foi um tempo de estranhas plenitudes -- plenitude de Espírito, plenitude de jejum, plenitude de oração e plenitude de tentação. Agora, Jesus deixará a carpintaria, a mãe (certamente viúva) e os irmãos para dedicar-se integralmente ao ministério. Foi uma mudança brusca quanto ao cenário, à movimentação e à ocupação. Agora, Jesus conviverá diretamente com o ser humano, suas complicações, enfermidades, problemas, maldades e carências. Agora, Jesus atenderá pessoas em toda parte e não terá tempo suficiente para comer (Mc 6.31) nem onde reclinar a cabeça (Mt 8.20). Agora, Jesus lidará com o legalismo de alguns e com a hipocrisia de outros. Agora, curará toda sorte de doenças, expulsará demônios e ressuscitará mortos. Agora, transformará água em vinho, multiplicará pães e peixes e acalmará tempestades. Agora, perdoará pecadores e pecadoras, pregará o arrependimento e a chegada do reino dos céus nas três províncias (Judeia, Samaria e Galileia), dos dois lados do rio Jordão. Agora, escolherá algumas pessoas para estar com ele, para comer com ele, para viajar com ele, para ser testemunhas dele e para continuar a sua obra. Enfrentará a oposição, o escárnio, a perseguição, as ameaças de prisão e morte. Agora, Jesus se aproximará lentamente da cruz.

O elo entre a infância, a adolescência e a mocidade silenciosas e a manifestação pública é o deserto e tudo o que ele significa. O prelúdio de seu ministério foram os quarenta dias de oração.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

A vida de oração de Jesus


 revista / edicao 336 / a-vida-de-oracao-de-jesus
capa — deus espera por nossas orações

“Eu e o Pai somos um”, disse Jesus aos judeus no Pórtico de Salomão (Jo 10.30). Apesar da completa intimidade com o Pai, Jesus era um homem de oração? A resposta, a mais explícita possível, é da lavra daquele que escreveu a Epístola aos Hebreus: “Durante a sua vida aqui na terra, Cristo, em alta voz e com lágrimas, fez orações e súplicas a Deus, que o podia salvar da morte. E as suas orações foram atendidas porque ele era dedicado a Deus” (Hb 5.7).

Só no último dia de vida (a sexta-feira começava na noite de quinta-feira), Jesus orou três vezes: no Cenáculo, no Getsêmani e no Calvário. Na sala ampla e mobiliada, ele orou pelos discípulos e por aqueles que creriam nele (Jo 17.20). No Getsêmani, Jesus orou por ele mesmo: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice” (Mt 26.39). Na cruz, das sete palavras ali proferidas, três foram orações: a primeira, em favor daqueles que o crucificavam (“Pai, perdoa-lhes”); as outras duas, em favor dele mesmo (“Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” e “Pai, nas tuas mãos entrego meu Espírito!”).

Além das orações feitas na cruz, o Evangelho de Lucas menciona a vida de oração de Jesus em cinco passagens:

5.16 -- Mas Jesus retirava-se para lugares solitários e orava.
6.12 -- Num daqueles dias, Jesus saiu para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.
9.18 -- Certa vez Jesus estava orando em particular, e com ele estavam os seus discípulos.
9.28 -- Aproximadamente oito dias depois de dizer essas coisas, Jesus tomou consigo a Pedro, João e Tiago e subiu a um monte para orar.
11.1 -- Certo dia Jesus estava orando em um determinado lugar.

A esta lista, deve-se acrescentar a passagem de Marcos 1.35: “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando”.

Não se diz que Jesus orava naqueles horários rígidos de oração, pela manhã, ao meio-dia e à tarde (Sl 55.17; Dn 6.10). Ele orava mais durante a noite do que durante o dia, mais nas montanhas do que em outro lugar. Uma coisa é certa: as orações do Senhor não eram rotineiras e cheias de vãs repetições.

Influenciado pela vida de oração de Jesus, um dos discípulos lhe disse: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou os discípulos dele” (Lc 11.1). Foi nessa ocasião que Jesus ofereceu o modelo universal da oração dominical e discorreu sobre a perseverança na oração e sobre a boa vontade de Deus em nos ouvir e responder (Lc 11.2-13).

Há uma relação das orações de Jesus com os acontecimentos anteriores ou posteriores que o envolviam, como se pode ver nos textos que as seguem ou antecedem.



terça-feira, 3 de julho de 2012

QUAL É A SUA HISTÓRIA

Cada cristão tem uma história singular de como encontrou a Cristo. Uma recepcionista, contou que ela manteve um diário durante a maior parte de sua vida.


Ela gostava muito da parte onde está o relato da sua conversão, quando tinha quinze anos de idade. Ela foi ouvir o evangelista Billy Graham. Aceitou Jesus! E recebeu a salvação! Quando recebeu a salvação, sentiu um forte calor e emoção em seu coração.


Um professor de seminário, num curso de evangelismo, pediu que seus alunos escrevessem suas histórias de como chegaram à fé em Cristo. Ele ficou impressionado, como era diferente cada um dos relatos. Alguns foram salvos de uma vida de drogas e imoralidade. Outros participavam da igreja e chegaram a conhecer a Cristo frequentando durante anos a Escola Dominical.


As conversões variam. O apóstolo Paulo teve um encontro dramático com o Salvador, que o transformou de perseguidor a pregador do Evangelho (Atos 26). Em contrapartida o jovem Timóteo foi silenciosamente nutrido com as Escrituras Sagradas desde a tenra infância, o que resultou na sua experiência de salvação (2 Timóteo 3-14:15). N]ao há duas jornadas de fé idênticas. Mas cada um tem um elemento comum, de voltar-se para o Senhor Jesus em fé, a fim de ser salvo dos pecados e receber um coração novo.


Você pode remontar os passos que Deus o ajudou a dar, até chegar a Cristo? Pode contar, agora para a igreja, qual é a sua história de conversão?


"Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa" (Atos 16-31)


boletim da IPI da Lapa 08.06.2008



segunda-feira, 2 de julho de 2012

É TEMPO DE ANUNCIAR

A igreja existe para a missão assim como a lâmpada para iluminar. Sem missão, a igreja perde seu sentido e razão da sua existência. O anúncio do evangelho é a principal forma pela qual a missão se realiza.


A igreja tem se envolvido em muitas atividades e não raras vezes  tem perdido o sentido da sua missão, caindo em um ativismo estéril que, não raro, impede-a de cumprir a tarefa para a qual foi chamada.


O Senhor Jesus, após a sua ressurreição, foi muito claro e direto a respeito da tarefa de que seus discípulos deveriam se ocupar. A partir da autoridade  que lhe foi confiada pelo Pai, ele diz: "Vão, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as e ensinando-as a guardar todas as coisas que vos tenho ensinado".  É preciso observar que esta tarefa não é uma opção, uma alternativa, mas uma ordem bem clara a partir da sua autoridade. Se aceitamos a sua autoridade como nosso Senhor, então a anunciar e fazer discípulos é, antes de tudo, uma questão de obediência. A expressão "fazei discípulos" está no imperativo. Existe uma promessa a qual é condicionada à obediência. Ela é a garantia de que, quando estamos obedecendo, Ele estará sempre nos guiando, sustentando e dirigindo nessa missão.


Sempre é tempo de anunciar. Todavia, precisamos redescobrir a urgência desta hora, lembrando-nos das palavras do Senhor Jesus: "É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar" (João 9-4)

domingo, 1 de julho de 2012

O GRANDE "EU SOU"

"... estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos" (Apocalipse 1-18)


As árvores, as flores, as borboletas, as estações do ano, as vozes da natureza nos falam da ressurreição. Meditemos e deixemos a nossa alma impregnar-se desta esperança, desta certeza.


Até que, como o apóstolo Paulo, mesmo caminhando para a morte, sigamos triunfantes, em certeza de fé e com o rosto sereno e brilhante. Ele, Jesus vive!


Um pastor evangélico estava em seu escritório escrevendo um sermão de Páscoa, quando um pensamento tomou conta dele: seu Senhor estava vivo! Pôs-se de pé num salto, alegremente, e, andando de lá para cá, repetia para si mesmo: "Cristo está vivo, Ele não é o grande "Eu era", mas o grande "Eu Sou!" Sim, Ele, Jesus, não é apenas um fato, mas um fato vivo. Gloriosa verdade da Páscoa!


Nós cremos num Senhor ressurreto. Não nos voltemos para o passado para adorá-lo junto ao túmulo, mas olhemos para cima para a Sua presença em nós, para que adoremos o Jesus Cristo vivo. E porque Ele vive, nós também viveremos. (Abbot, de Streams in The Desert).


boletim IPI da Lapa 16.03.2008