terça-feira, 5 de junho de 2012

Corpus Christi




Corpus Christi

23 de junho de 2011, quinta-feira, feriado nacional no Brasil. Dia de Corpus Christi. O que é isto? A tradução literal da expressão latina é "Corpo de Cristo". Refere-se a uma solenidade católica celebrada anualmente na primeira quinta-feira após o Domingo da Santíssima Trindade, para comemorar a eucaristia. A celebração do Corpus Christi acontece na igreja latina desde o século XIII. A primeira pessoa a pensar em uma festa especial para o sacramento eucarístico foi Santa Juliana (1193-1258), freira do convento agostiniano de Monte Cornillon, na Bélgica. Juliana compartilhou sua ideia com Robert de Thorete, então bispo de Liége, e com Jacques Pantaleón, que mais tarde seria o Papa Urbano IV. Como no regime católico de administração eclesiástica os bispos têm autoridade para ordenar a celebração de festas em suas dioceses, ele convocou um sínodo em 1246, e ordenou que a celebração acontecesse no ano seguinte. O bispo Robert morreu antes disto, mas a festa foi realizada assim mesmo. Em 1264 o Papa Urbano IV publicou a bula “Transiturus”, na qual ordenava a celebração da festa de Corpus Christi em todo o mundo (e não mais apenas na diocese de Liége). Aos poucos a festa passou a ser celebrada: Colônia (1306), Worms (1315), Strasburg (1316). Desde então, tem sido celebrada em todo o mundo católico .

A pergunta inevitável que surge é: se a festa se refere à instituição da eucaristia por Jesus na noite da quinta-feira que antecedeu sua crucificação (cf. Mt 26:17-30; Mc 14:17-26; Lc 22:7-20), por que é celebrada depois da Semana Santa? O argumento de Urbano IV na já citada “Transitorus” é que na Semana Santa os fiéis devem estar com suas mentes voltadas para a reflexão nos acontecimentos da Paixão propriamente, e por isso, podem acabar perdendo de vista a importância e o significado do evento da quinta-feira. Para evitar que tal acontecesse, a celebração da instituição da eucaristia por Jesus foi deslocada para um período posterior.

“Corpus Christi” é, portanto, uma tradição católica ocidental. O protestantismo e o cristianismo ortodoxo oriental não têm nada que seja similar. Mas a celebração desta festa faz pensar em algo importante, a celebração da eucaristia por Jesus e seu significado. Toda a cristandade tem no partir do pão e no beber do cálice seu ritual mais significativo. Todavia, ao mesmo tempo, muita discussão tem havido em torno do significado deste ritual, que é expressão de fé, e não meramente uma parte da liturgia. Afinal de contas, o que Jesus quis dizer quando afirmou "isto é meu corpo"? A tradição católica, trabalhando com categorias filosóficas tomadas de empréstimo da filosofia aristotélica, entende as palavras de Jesus em sentido literal. Ou seja, conforme o catolicismo, no momento da consagração dos elementos da ceia – o pão e o vinho – acontece uma mudança, não nos acidentes do elemento pão e do elemento vinho (cor, textura, sabor, odor), mas na “substância” destes, ainda que isto seja imperceptível aos sentidos humanos. A esta compreensão dá-se o nome de “transubstanciação”, que significa literalmente "mudar de substância".

A Reforma Protestante no século XVI apresentou compreensões diferentes. Lutero, que fora monge agostiniano, sempre teve a celebração da ceia do Senhor na mais alta conta. Ele divergia da compreensão católica tradicional, mas afirmava que, de alguma maneira, o próprio Jesus se faz presente no momento da ceia, “junto com”, “em com” “e sob” o pão e o vinho. A esta compreensão dá-se o nome de “consubstanciação”, que significa literalmente "com a substância". Na verdade, bem antes de Lutero houve quem entendesse a eucaristia em termos de consubstanciação. Mas o catolicismo tradicional rejeitou esta compreensão.

Zuínglio, contemporâneo de Lutero, iniciador do segmento protestante conhecido como "Reforma Reformada" (que teve mais tarde em João Calvino seu nome mais conhecido) divergiu das duas interpretações até agora citadas. Para Zuínglio as palavras de Jesus ditas por ocasião da última ceia devem ser entendidas de modo figurado, simbólico, e nunca de um modo literal. Portanto, para aquele reformador suíço, o pão e o vinho simplesmente simbolizam o corpo de Jesus morto na cruz e seu sangue derramado.
Carlos Jeremias Klein, pesquisador brasileiro e pastor da Igreja Presbiteriana Independente, em seu livro “Os sacramentos na tradição reformada” (São Paulo, Fonte Editorial, 2005), mostra como a maioria absoluta dos evangélicos no Brasil, pentecostais e não pentecostais, entende a ceia de maneira apenas simbólica.

O já citado João Calvino contribuiu para o debate com outra perspectiva. Para Calvino, no momento da eucaristia Jesus se faz presente de maneira real, não nos elementos em si, mas no coração dos fiéis. Esta é a “presença real” de Jesus na ceia. A compreensão de Calvino talvez seja uma via média entre a compreensão de Lutero e de Zuínglio. No entanto, é desconhecida da maioria dos membros, e mesmo pastores, de igrejas de tradição calvinista propriamente.

Ninguém pode negar a importância da ceia. Ninguém pode negar a importância desta celebração na caminhada cristã. Ninguém pode negar a presença de Jesus Cristo na vida dos que crêem. Não como um ritual mágico, para garantir sorte ou prosperidade. Mas como um momento de renovação de forças para continuar na jornada da fé, do amor e da esperança, no seguimento daquele que se deu por nós, para nossa salvação.

Carlos Caldas é doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo.
As informações históricas foram extraídas do verbete "Feast of Corpus Christi" da "The Catholic Encyclopedia".

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A VERDADEIRA RIQUEZA


Contentamento transforma um homem pobre em rico. Descontentamento transforma um homem rico em pobre.  Benjamin Franklin

Aprenda a amar e, genuinamente, apreciar o nascer e o por do sol; e você será enriquecido todas as manhãs e todas as tardes. Aprenda a amar e dar as boas-vindas aos desafios; e você irá perceber que aquelas coisas que têm a habilidade de paralisar as outras pessoas, são estas mesmas coisas que irão energizar sua vida e trazer-lhe um profundo senso de realização pessoal. Aprenda a amar as pessoas ao seu redor; e a sua riqueza irá multiplicar em cada vida que você vier a tocar. 

Você é uma pessoa rica. Você tem um corpo muito mais avançado do que a máquina mais perfeita já inventada pelo homem. Nenhum cientista, por maior que seja a sua competência, poderá produzir uma máquina idêntica ao corpo humano. Você tem o dia e a noite. Você tem o sol, a lua e as estrelas. Você tem tanta coisa que não lhe custa nada. 

Você tem vida. E, principalmente, você tem o amor, a assistência, a bondade e a misericórdia de Deus. Abra os seus olhos, abra a sua mente, e você verá que o que você tem é muito mais do que o que você não tem. Ame e valorize o que você tem. Tudo aquilo que você realmente ama, valoriza e – verdadeiramente – aprecia, certamente tem o potencial de enriquecer a sua vida.
Nélio DaSilva
Para Meditação:
A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou a realizar a sua obra.  João 4:34


PALAVRA DE DEUS: CHAMADO PARA SERVIR (Mc 10-45)

SERVIÇO - Eis a palavra desgastada! Serviço ao próximo - Eis uma ação rejeitada por nossa sociedade, que valoriza o individualismo e, por consequência, o egoísmo. Em nossa sociedade, servir o outro é sinônimo de incompetência. De acordo com os valores destes tempos em que vivemos, servir o outro é demonstrar fragilidade, subserviência. Em contrapartida, valorizam-se ações que denotem liderança altiva.


Contudo, em meio a valores tão cristalizados culturalmente, a Palavra de Deus sugere o exato oposto destas premissas: "O último será o primeiro". Jesus, que lavou os pés empoeirados dos discípulos, é o nosso modelo de serviço. Ele mesmo disse: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Marcos 10-45)


Em Jesus Cristo, a Palavra de Deus nos direciona ao serviço. O evangelho é um convite à humildade e ao serviço amoroso ao próximo. Mais que isso, a Palavra de Deus nos dá o exemplo: A vida e o ministério do Senhor Jesus Cristo. Ele é o exemplo vivo de serviço.


Neste mês de junho, dediquemos nossa vida ao serviço ao próximo. As ações podem ser das mais singelas, como ajudar alguém a atravessar uma rua, às mais complexas, como se engajar num projeto de apoio a algum tipo de necessidade humana.


Sejamos servos, sem medo de que isso nos diminua diante das pessoas. E, se acontecer, que seja! Diminuídos para a cultura humana, mas exaltando a glória de Deus! Lembremo-nos de João Batista: "Convém que ele cresça e eu diminua". A Ele, pois, toda a glória!



domingo, 3 de junho de 2012

COM [MUITAS] LÁGRIMAS

É muito difícil cumprir uma missão delicada sem lágrimas. É muito raro dar-se plenamente aos outros sem lágrimas. É praticamente impossível exercer o genuíno pastoreio de um rebanho cheio de problemas sem lágrimas. Na comovente reunião de despedida realizadada por Paulo em Mileto com os presbíteros, o apóstolo recors havia anunciado o evangelho "com lágrimas" (Atos 20-19,31).

O curto ministério de Jesus foi mais difícil do que qualquer outro. Além do contato com o sofrimento humano, s hipocrisia generalizada, o legalismo dos fariseus, os perigos de prisão e morte, a traição de Judas e a tríplice negação de pedro - Jesus teve de enfrentar a agonia do Getsêmani, seu momento mais difícil.

Homem algum consegue penetrar profundamente o sofrimento de Jesus naquele jardim na madrugada da chamada Sexta-feira Santa.

Mateus diz que Ele de repente "começou a entristecer-se e a angustiar-se (Mateus 26-37). Jesus mesmo não escondeu dos discípulos: "A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal" (versículos 38).

Lucas, o médico, é o único a contar o detalhe de que o suor de Jesus quando orava "era como gotas de sangue que caiam no chão" (Lucas 22-44).

Mas é o autor da Epístola aos Hebreus que fala abertamente em lágrimas: "durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte" (Hebreus 5-7) [Ultimato]

sábado, 2 de junho de 2012

O ENCORAJADOR

O encorajador não é exatamente aquele que alarga a porta estreita e desaperta o caminho apertado à vida. Não é aquele que baixa o padrão de conduta e tira a cruz de sobre os ombros dos discípulos. Não é aquele que exige cada vez menos e promete cada vez mais.Não é aquele que faz um "releitura" das Escrituras para chamar de bem aquilo que é mal, de luz aquilo que é escuridão, de doce aquilo que é amargo (Isaías 5-20).

O verdadeiro encorajador é aquele que modifica não as coisas, mas as pessoas. É aquele que vai atrás dos recém-convertidos e lhes diz: "continuem com a mão no arado e não olhem para trás" (Lucas 9-62);
"Tenham os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé" (Hebreus 12-2); "Mantenham-se firmes, e que nada os abale" (I Coríntios 15-58).

Não é fácil ser discípulo de Jesus. Por causa do pecado que está dentro de cada um de nós (natureza pecaminosa), por causa do pecado que está ao redor de nós (cultura pecaminosa) e por causa do "espírito que agora controla os que desobedecem a Deus" (Efésios 2-2).

Ser crente em Jesus significa nadar contra a correnteza, em todo lugar e em todo tempo. Daí a necessidade de alguém que exerça o ministério de encorajamento, no púlpito, nos aconselhamentos e na mídia (Ultimato).

A nossa igreja local precisa de pessoas encorajadoras. Que seja de oração. Desprendido. Firme na fé. Convertido à Jesus. Quer ser?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

MANTENDO-SE POSITIVO


Você pode imaginar o que eu faria se eu pudesse fazer tudo o que eu sei que posso fazer?  Albert Smith

É muito fácil se manter positivo, e com uma atitude para cima, quando as coisas vão bem ao nosso redor. O grande e real desafio de viver com um foco positivo é quando a vida começa a lhe apresentar problemas, angústias e contínuas aflições. Porém, são em ocasiões como esta que uma postura positiva pode fazer a maior de todas as diferenças. 

Manter uma atitude positiva em meio a problemas e circunstâncias adversas, não significa que você deva viver em um estado de negação, recusando-se a admitir os seus problemas. Pelo contrário, é necessário que você encare os problemas com clareza e realismo, à luz de suas implicações, sem se permitir ser lançado para o contra senso do negativismo. 

Em cada dificuldade, sempre está presente uma oportunidade. O nosso Deus tem uma habilidade muito especial de intervir em tempos de necessidades. Este é um fato tremendamente confortador. Portanto, para que você possa ver aquela oportunidade, é necessário buscar esta oportunidade. Isso significa olhar clara e objetivamente o problema, liberto da auto-piedade e comiseração. Você pode ser positivo, não importa quão escura e nebulosa sejam as nuvens sobre a sua cabeça. Não negue os seus problemas e não permita que eles venham a lhe negar as possibilidades que só podem ser experimentadas em meio a adversidades.
Nélio DaSilva

Para Meditação:
No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração na tua salvação. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem.  Salmos 13:5-6


Não creio que...


revista / edicao 335 / nao-creio-que

Jesus estava com Deus desde o princípio e que o mundo foi feito por ele;
Maria tenha engravidado sem ter relações sexuais com o carpinteiro ou com outro homem;
Jesus era Deus e homem ao mesmo tempo ou alternadamente. Ele não era um ser humanizado nem divinizado. Era simplesmente um ser humano, igual a nós: nasceu, viveu e morreu;

Jesus era o Cordeiro de Deus que tira o pecado. Nem mesmo creio em pecado. Pode haver equívocos, erros, falhas e insucessos, mas nunca pecado. Pecado é uma palavra inventada pelo cristianismo para meter medo;

Jesus é imatável. Essa palavra nem sequer existe. Ele não foi jogado precipício abaixo em Nazaré nem apedrejado em Jerusalém, porque em ambas ocasiões ele apenas fugiu com ajuda dos discípulos;

A água tenha sido transformada em vinho e que os pães e peixes tenham sido multiplicados. Pode ter havido algum truque ou coisa inventada para promover o Nazareno e enfraquecer o poder do Império Romano;

Jesus tenha dado vista aos cegos, audição aos surdos, fala aos mudos, cura aos doentes; Uma mulher permaneceu menstruada por doze anos nem que Jesus estancou o sangue dela. Se houve uma ou outra cura de doenças mais leves foi por causa do aparato armado por Jesus e os discípulos. Foi uma questão psicológica;

Jesus tenha ressuscitado a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e o irmão de Maria e Marta. Além de impossíveis, essas coisas nunca aconteceram;

Jesus tenha patinado sobre a superfície líquida do mar da Galileia. Creria se houvesse inverno rigoroso naquela região e naquela época do ano capaz de congelar a água do lago. A tempestade estava passando e ele aproveitou para dar a impressão de que era maior do que as forças da natureza;

Jesus tenha tornado a viver três dias depois de sua morte e sepultamento nem que tenha aparecido em vários lugares por um espaço de quarenta dias. A guarda inventou o drama da ressurreição, tendo em vista a grande soma de dinheiro que receberia do Sinédrio. A mentira dos guardas foi a notícia da ressurreição e não a notícia de que o corpo de Jesus teria sido levado para um lugar ignorado pelos discípulos. Jesus foi enterrado em uma cova rasa e permaneceu para todo sempre no mundo dos mortos (que os judeus chamam de Hades);

Jesus foi assunto aos céus e que uma nuvem o tenha encoberto, nem que ele tenha se assentado à direita de Deus para então arrumar os estragos provocados pela chamada queda do homem nem, ainda, que há de voltar “em poder e muita glória” para julgar. Nada disso aconteceu nem vai acontecer. Não existe esperança em um morto que a morte levou irreversivelmente Não há Apocalipse. Se a humanidade não evoluir por conta própria, as coisas vão continuar perenemente como estão. A realidade é muito melhor do que a fantasia!

Pode ser difícil achar alguém que verbalize todas essas negações. Talvez, para a maioria dos descrentes, uma ou duas delas bastem para não levar a sério as afirmações da fé cristã. Ainda bem que o testemunho do cristão pode balançar a dificuldade de crer do não cristão, contribuindo para levá-lo à fé. Afinal, os seguidores de Jesus são (ou deveriam ser) o sal da terra e a luz do mundo, para que os demais vejam as suas boas obras e estas glorifiquem a Deus (Mt 5.16).