De uma coisa tenho certeza: dos impulsos que me assaltam, uns são do Espírito, outros são da carne. De outra coisa também tenho certeza: não sou o único a ter impulsos saudáveis e impulsos maquiavélicos. Tanto os bons como os maus têm uns e outros. A possível diferença é que os bons costumam filtrar os impulsos bons e os maus costumam filtrar os impulsos maus.
Para ficar por dentro do que é impulso, busquei os sinônimos do verbo impulsar: animar, atiçar, empurrar, estimular, impelir, incitar, instigar, mobilizar. Não satisfeito, catei as palavras cognatas: impulsar, impulsionar, impulsionador, impulsionante, impulsão, impulsividade, impulsivo, impulso, impulsor. Por saber da relação da psicologia com os impulsos, consultei o Dicionário de Psicologia Dorsch e encontrei as seguintes expressões: deficiência de impulso, impulso final, medição de impulso, impulso sexual, impulsos primários, impulsos secundários.
Achei melhor encarar o problema de maneira mais simples e mais prática.
O impulso é aquilo que vem de fora para dentro. É aquela ideia, aquela vontade, aquele ímpeto, aquela disposição, aquela força que pode mover e fazer alguma coisa grande ou pequena, notável ou trivial, certa ou errada, gratificante ou prejudicial, elogiosa ou censurável.
Esse reconhecimento puro e simples me levou a ter cautela com o impulso. É por isso que, de hoje em diante, com a ajuda de Deus, faço três solenes promessas: 1) filtrar todos os meus impulsos; 2) pôr de lado corajosamente os impulsos contrários à fé e à ética cristã; 3) abrigar, ou acolher, ou hospedar os demais impulsos.
Não quero ser ingênuo. Sei que o ser humano tanto pode ser impulsionado pelo Espírito como por sua natureza pecaminosa, e também pela mídia, pela cultura, pelo marketing, por familiares e amigos e pelas inegáveis potestades do ar. Para concluir, devo dar asas aos impulsos que procedem do Espírito e me proteger dos impulsos contrários, que procedem de outra fonte. Isso significa andar no Espírito e não na carne, como ordena Paulo (Gl 5.16).
De hoje em diante, com a ajuda de Deus, vou me dar o trabalho de negar-me a mim mesmo quando o impulso vier de má fonte e abrir-me a mim mesmo quando o impulso vier de boa fonte. Tenho a obrigação de agir assim porque considero-me discípulo de Jesus (Mc 8.34).
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