Jim Memory
O contexto religioso da Europa é um paradoxo. Grandes catedrais e igrejas históricas se espalham por todo o continente; ainda assim a porcentagem de europeus com ligação significativa com a Igreja nunca foi tão baixa. Na República Tcheca estão alguns dos monumentos mais magníficos do cristianismo, porém, como muitos estudiosos verificaram, ali vivem também as pessoas mais secularizadas de toda a Europa. Apenas 11% dos tchecos acreditam na existência de um Deus pessoal.1
Fica claro, a partir desse resumo estatístico, que a Europa foge a uma definição simples. Cada país possui história religiosa e contexto cultural e social próprios, que tornam a contextualização do evangelho um desafio imenso. Além disso, a região passa por enormes mudanças sociais, resultantes da migração e de alterações demográficas.
Durante séculos, europeus migraram para o Novo Mundo. Nos últimos 50 anos, o fluxo migratório se reverteu e, em especial, na última década, dezenas de milhões de migrantes da Ásia, África e América Latina transformaram o cenário social e religioso da Europa. Muitos migrantes são muçulmanos. O Pew Research Centre estima que cerca da 44 milhões de muçulmanos viviam na Europa em 2010 e prevê que, até 2030, esse número chegará a 58 milhões.3 Isso tem gerado tensões sociais em alguns países, onde muçulmanos tentam exercer seu direito de usar burca ou “hijab” e construir minaretes nos locais de culto. A paisagem europeia não é mais dominada apenas pelos pináculos das igrejas e catedrais cristãs.
A Europa é um paradoxo e, embora as gerações anteriores de cristãos europeus tenham partido para outros lugares para compartilhar sua fé com muçulmanos, hindus e outros agora têm a oportunidade magnífica bem à sua porta. Em sua misericórdia, Deus os trouxe até nós. Ao mesmo tempo, trouxe muitos cristãos vibrantes de outros países, como o Brasil, para revitalizar as igrejas da Europa e nos ajudar a alcançar as multidões de europeus secularizados.
Parece-me que nossa fraqueza como cristãos europeus é, paradoxalmente, nossa maior força. Não podemos mais depender de nossas denominações e instituições. Estamos fracos demais para sobreviver sozinhos, de modo que Deus tem facilitado parcerias entre igrejas e agências missionárias por todo o continente e por todo o mundo.
Sim, estamos fracos. Sim, os secularistas nos insultam. Sim, estamos no meio de uma crise financeira. Alguns são perseguidos por pendurar uma cruz no pescoço. As igrejas enfrentam todo tipo de dificuldade. Ainda assim, “sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (1Co 12.10).
Se o apóstolo Paulo conseguiu enxergar esperança no paradoxo do contexto de sua missão, também podemos enxergar na Europa.
Notas
1. European Values Study, 2008.
2. Religion in Britain Since 1945; believing without belonging. Blackwell: Oxford, 1994.
3. Pew Research, The Future of the Global Muslim Population, 2011.
• Jim Memory e sua esposa, Christine, plantaram igrejas na província de Córdoba, no sul da Espanha, durante 14 anos. Hoje ele é vice-diretor regional de ministérios na Europa na European Christian Mission International (www.ecmi.org) e na Redcliffe College (www.redcliffe.org).
Traduzido por Cláudia Ziller Faria
Para contato com a Missão Cristã Europeia
ecmi.br@ecmi.org
21 2736-9780
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