Mais um parênteses aqui antes de continuar a discussão. Muita gente acha que tem que “saber” para crer. Será que é verdade? Será que sabemos tudo à respeito de tudo o que cremos?
Na verdade não. Nosso conhecimento em si acerca do mundo, da vida e até de nós mesmos será sempre limitado. Se você jogado numa ilha deserta, como o famoso personagem da literatura Robson Crusoé, o quanto da vida moderna você saberia reproduzir? Saberia inventar um telefone celular com o qual entrar em contacto com seus pais? Saberia inventar um computador ou ainda um simples aparelho de enviar mensagens em código morse em banda curta?
Não sabemos tudo o que utilizamos. Não sabemos também tudo o que sentimos. Por isto a palavra saber em muitas línguas inclui a idéia de saber experimentando. Experimento portanto “sei”. Não sei todos os detalhes atmosféricos que causam a chuva por exemplo, mas sei a chuva quando ela cai molhando a terra. Sei os raios e trovões sem conhecer a razão porque acontecem. Sei o seu som aterrador, sei os efeitos dos raios fritando tudo o que encontra na terra.
Muitas pessoas pensam que o saber conceitual é superior ao crer. Se presume que se sabemos é porque comprovamos a “verdade” do que sabemos. Se presume que o conhecimento foi provado portanto é superior à fé que é “apenas” crida…
O problema é que nem tudo o que sabemos é verdadeiro. Muito das coisas que achamos que sabemos cientificamente são apenas o que se chama de “senso comum”, ou seja uma série de idéias que foram cridas por tanto tempo que se tornaram parte daquele cadáver de elefante que mencionei anteriormente. Idéias falsas tornadas verdadeiras por terem estado disponíveis sem prova em contrário por tanto tempo e acabam tendo o poder de sustentar uma série de outras idéias filhas.