revista / edicao 335 / nao-creio-que
Jesus estava com Deus desde o princípio e que o mundo foi feito por ele;
Maria tenha engravidado sem ter relações sexuais com o carpinteiro ou com outro homem;
Jesus era Deus e homem ao mesmo tempo ou alternadamente. Ele não era um ser humanizado nem divinizado. Era simplesmente um ser humano, igual a nós: nasceu, viveu e morreu;
Jesus era o Cordeiro de Deus que tira o pecado. Nem mesmo creio em pecado. Pode haver equívocos, erros, falhas e insucessos, mas nunca pecado. Pecado é uma palavra inventada pelo cristianismo para meter medo;
Jesus é imatável. Essa palavra nem sequer existe. Ele não foi jogado precipício abaixo em Nazaré nem apedrejado em Jerusalém, porque em ambas ocasiões ele apenas fugiu com ajuda dos discípulos;
A água tenha sido transformada em vinho e que os pães e peixes tenham sido multiplicados. Pode ter havido algum truque ou coisa inventada para promover o Nazareno e enfraquecer o poder do Império Romano;
Jesus tenha dado vista aos cegos, audição aos surdos, fala aos mudos, cura aos doentes; Uma mulher permaneceu menstruada por doze anos nem que Jesus estancou o sangue dela. Se houve uma ou outra cura de doenças mais leves foi por causa do aparato armado por Jesus e os discípulos. Foi uma questão psicológica;
Jesus tenha ressuscitado a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e o irmão de Maria e Marta. Além de impossíveis, essas coisas nunca aconteceram;
Jesus tenha patinado sobre a superfície líquida do mar da Galileia. Creria se houvesse inverno rigoroso naquela região e naquela época do ano capaz de congelar a água do lago. A tempestade estava passando e ele aproveitou para dar a impressão de que era maior do que as forças da natureza;
Jesus tenha tornado a viver três dias depois de sua morte e sepultamento nem que tenha aparecido em vários lugares por um espaço de quarenta dias. A guarda inventou o drama da ressurreição, tendo em vista a grande soma de dinheiro que receberia do Sinédrio. A mentira dos guardas foi a notícia da ressurreição e não a notícia de que o corpo de Jesus teria sido levado para um lugar ignorado pelos discípulos. Jesus foi enterrado em uma cova rasa e permaneceu para todo sempre no mundo dos mortos (que os judeus chamam de Hades);
Jesus foi assunto aos céus e que uma nuvem o tenha encoberto, nem que ele tenha se assentado à direita de Deus para então arrumar os estragos provocados pela chamada queda do homem nem, ainda, que há de voltar “em poder e muita glória” para julgar. Nada disso aconteceu nem vai acontecer. Não existe esperança em um morto que a morte levou irreversivelmente Não há Apocalipse. Se a humanidade não evoluir por conta própria, as coisas vão continuar perenemente como estão. A realidade é muito melhor do que a fantasia!
Pode ser difícil achar alguém que verbalize todas essas negações. Talvez, para a maioria dos descrentes, uma ou duas delas bastem para não levar a sério as afirmações da fé cristã. Ainda bem que o testemunho do cristão pode balançar a dificuldade de crer do não cristão, contribuindo para levá-lo à fé. Afinal, os seguidores de Jesus são (ou deveriam ser) o sal da terra e a luz do mundo, para que os demais vejam as suas boas obras e estas glorifiquem a Deus (Mt 5.16).
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