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quarta-feira, 20 de junho de 2012
Festas bíblicas
Sexta, 2 de Março de 2012 - 15:48hs
Divulgação Novolhar
PÃES ÁZIMOS: Uma tradição judaica que também é usada em celebrações cristãs Várias festas marcam o calendário israelita. Três delas sempre foram consideradas as principais, porque são as mais antigas: a Festa da Páscoa, a Festa das Semanas e a Festa dos Tabernáculos ou das Tendas. Quatro textos bíblicos apresentam uma relação dessas festas: Êxodo 23.14-19; Êxodo 34.18-23; Levítico 23.1-44 e Deuteronômio 16.1-17. Nesses percebe-se que, na primeira festa, celebram-se duas coisas distintas: a Páscoa e os Ázimos. De fato, na origem eram duas festas distintas. A Páscoa era celebrada por pastores seminômades, que, na primeira lua cheia do início da estação da seca, abandonavam as estepes e migravam para a região de agricultura, onde suas ovelhas e cabras poderiam encontrar pasto.
No dia anterior à partida, imolavam um cordeiro de menos de um ano, cuja carne assada era comida à noite pela família prestes a viajar. Com o sangue do cordeiro, pintavam as estacas da tenda, que permaneceriam no local. Esse rito servia para prender ali o pequeno demônio amigo da família, mas que não queria que ela saísse do lugar.
Na mesma ocasião, os agricultores celebravam o início da colheita do cereal. Agora havia farinha nova. Para que a colheita, que continuaria por sete semanas, fosse bem-sucedida, era necessário preservar o pequeno demônio que vivia no germe do grão. Fermento podia matá-lo, e isso estragaria a colheita. Por isso o pão de farinha nova era feito sem fermento, sem aquele pequeno pedaço da massa anterior, guardado para a fermentação. Nossos antepassados chamavam esse pedaço de massa anterior de Sauerteig. Assim, durante sete dias, comiam-se pães ázimos.
Assim, as celebrações de Páscoa e de Ázimos foram lentamente integradas numa única festa. A partir daí, a festa passou a celebrar a saída do Egito. O sangue do cordeiro passou a ser entendido como a proteção diante do anjo exterminador de Deus, que, durante a última praga, entrara nas casas egípcias para matar o primogênito. Não entrara nas casas dos hebreus, protegidas pelo sinal do sangue. Os ázimos passaram a ser compreendidos como os pães sem fermento preparados para durar mais tempo no percurso da viagem.
Sete semanas depois da Festa dos Ázimos, agora chamada de Páscoa, os agricultores celebravam o fim da colheita. Em sua origem, essa celebração era chamada de Festa das Semanas ou dos Sábados – sete sábados, ou sete semanas, haviam passado desde o início da colheita. No dia seguinte, celebrava-se a festa em gratidão pelo resultado da colheita. Sete semanas são 49 dias. Assim, na língua grega, essa festa passou a ser conhecida como Pentecostes, cujo significado é 50 dias.
No fim do ano israelita, ocorria a Festa dos Tabernáculos. Ela recebeu esse nome porque, naquela época, colhiam-se as azeitonas e as uvas. Para realizar a colheita, os camponeses iam morar em meio aos olivais e aos parreirais, fazendo tendas cobertas com ramos. Essas tendas são os assim chamados tabernáculos. Mais tarde, cada uma dessas festas foi relacionada a um livro bíblico, lido durante a celebração. Na Páscoa, lia-se o Cântico dos Cânticos; na Festa das Semanas, o Livro de Rute; e, na Festa dos Tabernáculos, o Livro de Eclesiastes.
Jesus subiu a Jerusalém para celebrar a Páscoa judaica com seus discípulos. Durante a Semana da Páscoa, foi preso, crucificado e ressuscitou dos mortos. Os cristãos passaram a entender a Páscoa como Festa da Ressurreição. Durante a celebração da Festa das Semanas, os discípulos receberam o dom do Espírito Santo. Pentecostes passou, então, a ter um novo significado para os cristãos.
Mais difícil é achar uma relação entre a Festa dos Tabernáculos e as festas cristãs. Talvez se possa pensar em nossa Festa de Ação de Graças pela Colheita. Talvez também no Natal, porque se trata de uma festa de fim de ano. Importante, porém, é que tenhamos em mente a relação entre as festas cristãs e as festas celebradas na tradição judaica.
* Teólogo e professor de Teologia na Faculdades EST em São Leopoldo (RS)
Fonte: Carlos Artur Dreher *
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