Aquele lar se reunia regularmente em oração. O pai, a mãe, pessoas íntegras, fiéis nos cultos, na vida diária, nas ofertas, no falar, e o seu pequeno e único filho. Todos os dias. Oravam e clamavam a Deus, apresentando a família, a vizinhança, os enfermos. Agradeciam as bênçãos das quais julgavam-se indignos. Assim passou-se o tempo. Um dia, a dor abateu-se naquele lar. Os pais faleceram num curto período. Primeiro o pai, depois a mãe. Ficou só o filho adolescente. Este foi entregue à um casal de incrédulos. Detestavam-no (o menino).
Humilhavam-no de todas as formas. A mulher, na hora das refeições, jogava a comida no chão e ordenava ao menino que comesse. Revoltava-se o coração ainda infantil. Fugiu dali, indo para o mundo. Juntou-se às piores pessoas. Começou a beber, a praticar todo tipo de desordem, que demonstrasse sua revolta. Achou emprego num navio mercante. Certa feita, enquanto o capitão dormia, ele incitou seus colegas a beberem todo o rum da adega. Foi expulso do navio. Caiu num "turbilhão" destruidor da vida, a qual não podia resistir, visto como um "inútil". Para livrar-se dele, empurraram-no para um navio pesqueiro. Lavava o convés. Uma noite de tempestade no meio do mar, estava ele todo bêbado. As ondas o varreram do convés. Caiu nágua, sentia-se já no fim da vida. Encerraria ali sua existência miserável.
Mas eis que, em meio às ondas gigantescas, viu sua memória reativar-se. Lembrou-se do Deus misericordioso e cheio de graça que "norteava" seus pais na leitura bíblica e oração diária. Ali, em meio ao ribombar dos trovões e o ruído ensurdecedor do mar, clamou pelo Deus Eterno. Sentiu uma dor terrível no ombro.Alguém, com um arpão de pesca "o fisgou" e fez favor de deixá-lo no convés amarrado. Saindo daquele navio, nunca se esqueceu do clamor que fizera a Deus. Compôs um hino. Deu-lhe o título de "Amazing Grace" ou Graça Eterna. o nome dele: John Newton
boletim da IPI Lapa de 18.05.2008
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