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sábado, 26 de maio de 2012
Álcool e direção
Editado por Rev. Giovanni Alecrim Última atualização em Terça, 17 Abril 2012 12:52
Notícias de acidentes de trânsito com vítimas fatais envolvendo o uso de álcool são freqüentes. Mas, apesar de a maioria da população saber da relação entre as altas taxas de mortalidade no trânsito e o consumo dessa substância, ainda persistem muitas dúvidas sobre o uso de álcool por motoristas, principalmente sobre seus efeitos no organismo e os riscos que se corre ao dirigir embriagado.
A destreza e outras habilidades necessárias para direção, como a tomada de decisões, são prejudicadas muito antes dos sinais físicos da embriaguez começaram a aparecer. Isso porque, já nos primeiros goles, o álcool atua como estimulante e pode deixar as pessoas temporariamente como uma sensação de excitação.
No entanto, as inibições e a capacidade de julgamento são rapidamente afetadas, aumentando a probabilidade de se tomar decisões equivocadas. O tempo de reação e reflexos também sofre alterações, comprometendo ainda mais as habilidades necessárias para o ato de dirigir. Em altas doses, a bebida alcoólica pode também causar sonolência ou até mesmo ocasionar a perda da consciência ao volante. A demora em compilar dados e a forma como são notificadas até mesmo pelos estados e municípios comprometem o resultado final das estatísticas.
Por exemplo, o número oficial de mortos no Brasil vítimas de acidentes de trânsito não passa dos 35.000 por ano, porém sabe-se que são contados apenas aqueles que morrem no local do acidente, pois não há um acompanhamento. Mesmo que a vítima morra na ambulância a caminho do hospital, ela não será contabilizada. Muitos acreditam que esse número passe dos 50.000 mortos por ano.
“Estudo patrocinado pelo Ministério da Saúde analisa a associação entre o consumo de álcool e os acidentes de trânsito nas cinco regiões brasileiras. Pesquisa inédita desenvolvida pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) em parceria com o Centro de Prevenção às Dependências (CPD) e patrocínio do Ministério da Saúde e Prefeitura do Recife, aponta a existência de fatores ‘invisíveis’ que contribuem para os altos índices de acidente de trânsito do País. Desenvolvido em seis capitais brasileiras (Recife, Manaus, Fortaleza, Brasília, São Paulo e Curitiba), o estudo mostra que pedestres ciclistas e passageiros também são responsáveis pelos acidentes de trânsito e alerta para a necessidade de políticas públicas de educação voltadas a esses outros agentes, desconstruindo a idéia de que apenas os condutores dos veículos são responsáveis pelos acidentes e, portanto, devem ser alvos de campanhas educativas e medidas punitivas pelo estado.Intitulada ‘Consumo de Álcool e os acidentes de trânsito’, a pesquisa foi divulgada durante o lançamento do Pacto Nacional pela Redução de Acidentes no Trânsito – Pacto pela Vida, no Ministério das Cidades, em Brasília. O evento, promovido pelo Ministério da Saúde e Ministério das Cidades, marca o compromisso brasileiro com o Plano da Década de Ação de Segurança no Trânsito 2011-2020, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com a coordenadora geral da pesquisa, Ana Glória Melcop, é um equívoco pensar o consumo de álcool apenas sob a perspectiva dos condutores de veículos. No estudo - que analisou 1.248 vítimas de acidentes de trânsito nas seis capitais selecionadas, contemplando as cinco Regiões do País - o atropelamento apresentou a segunda maior freqüência entre os acidentes registrados em Manaus, Brasília e São Paulo; enquanto no Recife e em Curitiba, a queda foi a segunda forma de acidente mais freqüente. Nas faixas etárias mais extremas, o atropelamento foi o acidente mais freqüente, atingindo cerca de 52% das vítimas com 60 e mais anos e 47% das vítimas com idade até 9 anos. A legislação brasileira atual está correta em punir severamente os motoristas que dirigem com determinado nível de alcoolemia. Entretanto, é necessário considerar os outros atores do trânsito pedestres, ciclistas e passageiros que, sob efeito do álcool, arriscam igualmente as suas vidas nas vias públicas.
O atropelamento é uma das principais causas de morte no trânsito e, na maioria das vezes, é o pedestre que está alcoolizado e se coloca em situação de risco por não ter condição de avaliar a distância e a velocidade dos veículos, e também pela falta de equipamentos de segurança e de orientação adequada", observa Melcop.
Para realizar o estudo, pesquisadores ficaram de plantão durante sete dias, em 2008, nos principais serviços de emergência e nos Institutos Médicos Legais (IMLs) das seis cidades selecionadas, escolhidas por apresentarem os maiores números absolutos de acidentes de trânsito nas suas respectivas regiões, segundo dados do Ministério das Cidades. Embora o tipo de acidente predominante na pesquisa para o conjunto das cidades tenha sido a colisão (34,1%), os altos índices de queda (21,7%) e atropelamento (20,5%) chamaram atenção dos pesquisadores para a atual negligência em relação a esses agentes.
“A Lei Seca foi um passo essencial e vem salvando muitas vidas. Mas é preciso mais. Precisamos pensar em novas estratégias, pois ainda há muitas pessoas se ferindo e morrendo por causa da bebida no trânsito”, afirma Melcop.
Além de identificar esses fatores até então tidos como de pouca influência no número geral dos acidentes de trânsito, e a necessidade de maior atenção pelo Poder Público para essa questão, a pesquisa também traçou um perfil dos acidentados no sistema viário brasileiro, no qual prevaleceram os homens (74,2%), jovens (entre 20 a 29 anos), com escolaridade média (até o 2º grau ou médio), solteiros (55,4%), morenos ou pardos (56,5%), e na sua maioria desempregados ou desocupados, seguidos por estudantes, motociclistas e ciclistas de entregas rápidas. Os motociclistas constituíram a maior proporção das vítimas (40,1%). Na segunda posição, ficaram os pedestres e os ciclistas.
Em relação ao consumo de álcool pelos motoristas, a prevalência de alcoolemia positiva entre os acidentados no conjunto de cidades foi de, aproximadamente, 27%. A alcoolemia positiva se dá quando o teor ultrapassa 0,2g/l de sangue. Fortaleza foi a cidade que registrou o maior índice (36,5%) e Brasília o menor (16,3%). Os homens apresentaram prevalência uma vez e meia maior que as mulheres.
E, para quem pensa ser 'típico' dos jovens a imprudência na hora de combinar álcool e direção, uma surpresa: as maiores prevalências em relação à faixa etária foram verificadas entre 50 e 59 anos (32,6%) e entre 40 e 49 anos (32,4%). O estudo também formatou uma série de recomendações a serem adotadas pela sociedade e pelo Poder Público. Entre elas está o maior investimento na formação dos agentes de trânsito, a priorização da formação do pedestre, uma melhor avaliação das condições dos veículos e das vias, a integração das políticas públicas e o comprometimento da sociedade, entre outras” (Informações do Ministério da Saúde).
Ao longo da história, o ser humano sempre arruma desculpas e, quando falamos sobre álcool no meio do povo de Deus, muitos citam a história do primeiro milagre de Cristo narrado no evangelho de João (2.1-11) a transformação da água em vinho. Muitos utilizam levianamente dessa passagem bíblica para justificar que o consumo do álcool não contraria a palavra de Deus. Ao ler o versículo dez do capítulo segundo, fica claro que o vinho produzido por intermédio do milagre de Jesus foi servido após todo o vinho reservado para a festa ter sido consumido, quando todos haviam bebido fartamente. Desta forma, devemos acreditar que era fermentado e que o primeiro milagre do Deus encarnado que tanto admoestou para os perigos da embriaguez foi fornecer mais ou menos 500 litros de bebida aos convidados que já haviam se fartado de beber para que se embriagassem ainda mais?
O apóstolo Paulo coloca os bêbados junto dos ladrões e dos adúlteros. Poderia Jesus compactuar com o consumo de álcool?
É interessante falar sobre a bebida servida na Ceia do Senhor. Nem Mateus, nem Marcos, nem Lucas falam da bebida fermentada. Os três utilizam a expressão (fruto da vide). O vinho não fermentado é o único (fruto da vide) sem fermentação e, portando, sem álcool.
O alcoolismo está entre as obras da carne, segundo escreveu Paulo em Gálatas 5.19-21. Também podemos ler em Gálatas que pelo menos 13 das 16 características listadas são encorajadas pelo uso excessivo de álcool: prostituição, impureza, lasciva, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, ira, pelejas, dissensões, inveja, homicídios e glutonarias. Quase sempre essas são manifestas nos ambientes onde há uso excessivo de álcool, levando a pessoa a diversos outros vícios, removendo as inibições naturais e deixando a pessoa livre para praticar coisas degradantes.
Outra passagem bíblica que é explorada por quem defende o consumo das bebidas alcoólicas, está em 1 Timóteo 5.23: “Já que muitas vezes você tem ficado doente do estômago, não beba somente água, mas beba também um pouco de vinho”. Contudo, estas pessoas não observam o que diz 1 Timóteo 3.3, quando Paulo aconselha a Timóteo, sobre o comportamento daqueles que aspiram ao episcopado: “Não pode ser chegado ao vinho, nem briguento, mas deve ser pacífico e calmo”
O álcool é responsável pela perda de milhares de vida todos os anos com tragédias familiares, acidentes de transito, brigas, entre outros tipos de confusões.
Alcoolismo não é doença, mas transforma suas vitimas em pais, filhos, amigos, esposas e maridos em doentes. “Não ande com gente que bebe demais” (Pv 23.20).
O Presb. Odair Martins, da IPI de Porto Feliz, SP, é da Coordenadoria Nacional de Adultos da IPIB
www.ipib.org
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