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sábado, 28 de abril de 2012
Não forcem os seios a aparecer ou desaparecer: deixem que eles cresçam naturalmente
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“Não forcem os seios a aparecer ou desaparecer: deixem que eles cresçam naturalmente”
Na República dos Camarões (na costa ocidental da África), um país majoritariamente cristão, é possível encontrar mães e outras mulheres da família que “engomam” os seios das meninas quando se tornam moças. Segundo dados de uma pesquisa realizada em 2010, aproximadamente 24% das adolescentes do país já passaram por essa experiência.
Não relacionada à fé ou a questões de ordem religiosa, esta prática tradicional na África Ocidental e Central -- chamada pela agência alemã GTZ de mutilação feminina -- tem o propósito de esconder os seios das jovens para protegê-las de olhares libidinosos, encontros sexuais prematuros, ameaças de estupro, gravidez indesejada e abortos. A operação consiste em passar algo quente (pedras, paus de malhar cereais e até martelo) nos seios das mulheres, diariamente, até obter o resultado desejado.
Para conscientizar os responsáveis por essa prática, um grupo de adolescentes produziu uma campanha de televisão que expõe o problema. Um dos anúncios diz: “Comprimir os seios de jovens meninas é muito perigoso para a saúde. Não force os seios a aparecer ou desaparecer: deixem que eles cresçam naturalmente”.
Apesar da compreensível preocupação das mães em proteger as filhas adolescentes da vida sexual prematura, da licenciosidade, da gravidez e do consequente afastamento das atividades escolares, a mutilação dos seios não é justificável. Além de causar sérios danos físicos e psicológicos, é uma ofensa e um desrespeito ao ser humano, uma prática criminosa e contrária à criação.
É lamentável que no contexto camaronês -- e de alguns outros países da África Ocidental e Central -- os seios não sejam reconhecidos como parte do projeto de Deus para o corpo da mulher (nem pelos que os mutilam nem pelos que abusam sexualmente das meninas e mulheres). Além de ser a parte do corpo feminino que alimenta os bebês, não se pode negar que eles o adornam e despertam no outro sexo amor e paixão.
No Cântico dos Cânticos, o amado descreve a beleza física da amada. Ele se refere aos olhos, aos cabelos ondulados, aos dentes brancos e bem alinhados, aos lábios vermelhos, mas não deixa de falar dos seios dela: “Os seus seios parecem duas crias, crias gêmeas de uma gazela, pastando entre os lírios” (Ct 4.5). No poema, ele volta a elogiá-los mais adiante (7.3) e acrescenta: “Os seus seios são para mim como cachos de uvas” (7.8). A própria amada diz desinibidamente: “Eu sou uma muralha e os meus seios são as suas torres” (8.10).
Naturalmente, essa intimidade não pode ser profanada ou prostituída, como se vê claramente em outro livro atribuído ao mesmo autor dos Cânticos: “Beba das águas da sua cisterna, das águas que brotam do seu próprio poço [...]. Seja bendita a sua fonte! Alegre-se com a esposa da sua juventude. Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela. Por que, meu filho, ser desencaminhado pela mulher imoral? Por que abraçar o seio de uma leviana [ou, “os encantos da mulher de outro homem”]?” (Pv 5.15-20).
Não se alcança um comportamento sexual responsável e correto (monogâmico e hétero) com providências desequilibradas, como mutilação, castração, cinto de castidade, celibato obrigatório e fuga para o deserto. Na esfera pessoal, isso depende de uma decisão constantemente reafirmada de negar-se a si mesmo, quando se trata de comportamento ilícito. No âmbito social, depende de iniciativas de famílias e sociedade que criem condições favoráveis à prática saudável do sexo, o que incluiria esforços contra o abuso e a mutilação.
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