Colunas — Casamento e família
Carlos “Catito” Grzybowski e Dagmar Fuchs Grzybowski
Essa
é a queixa de muitos casais que vêm ao aconselhamento. Dizem que, após a
cerimônia do casamento, o cônjuge mudou e que se sentem enganados pelo
que o outro prometia e representava ser durante o namoro.
O
que ocorre, na verdade, é que a primeira fase do relacionamento
conjugal está acabando. Todo relacionamento é dinâmico e passa por um
processo de desenvolvimento. Ao contrário da ideia que muitas vezes é
passada nas cerimônias civis, o casamento não é algo estático em que se
entra e nada mais é preciso fazer -- “o santo estado do matrimônio”,
como afirmam os juízes de paz.
O dinamismo de um
casamento pode ser comparado ao processo de crescimento de um organismo
vivo, que passa por várias etapas -- infância, adolescência, juventude e
maturidade. A passagem de uma etapa a outra neste processo é sempre um
período de desorganização e reorganização, pois se abre mão de algo que
se domina para adentrar em um campo de que não se tem nenhum domínio -- a
etapa seguinte.
A primeira etapa no
relacionamento conjugal é o romantismo. Ela se inicia quando duas
pessoas se conhecem e se apaixonam. Este sentimento misterioso e
inexplicável (pois ninguém sabe exatamente por que se apaixona por uma
pessoa específica e não pelas outras tantas disponíveis) leva a um
período de muitos sonhos e ilusões. Acredita-se que se encontrou alguém
que o fará feliz -- e, afinal, não é isso que sempre buscamos?
Esta
idealização tem, no fundo, uma motivação egoísta, pois afinal “eu”
mereço o melhor e quanto mais eu destacar as virtudes da pessoa que
escolhi -- ainda que algumas delas não existam -- mais estarei
valorizando a mim mesmo neste processo de escolha.
Como
a idealização é mútua, desenvolve-se entre o casal o que chamamos de
uma relação simbiótica, ou seja, quanto mais um enaltece o outro, mais o
outro retribui com enaltecimentos. Por exemplo, um afirma: “Querido,
como você é atencioso”; o outro então diz: “Ah, isso não é nada se
comparado ao seu jeito carinhoso!”.
Gastam-se
horas conversando sobre assuntos triviais, pois na verdade o que importa
não é o conteúdo das conversas, e sim o fato de estar junto com a
pessoa pela qual se está apaixonado.
Nossa
sociedade supervaloriza o romantismo e, por isso, muitas pessoas
acreditam que no momento em que ele não estiver mais presente não valerá
mais a pena permanecer juntos. Entendem que “acabou o amor”, quando na
realidade o que acabou foi a paixão estruturada sobre um romantismo de
sonhos e ilusões. Apenas o primeiro passo foi dado no caminho da
descoberta do verdadeiro amor, pois este “jamais acaba” (1Co 13.8).
Nas
próximas edições falaremos sobre as fases subsequentes -- são sete ao
todo -- deste organismo vivo e mutante que é o relacionamento conjugal,
sobre suas características principais e sobre como estruturar um
relacionamento sobre um fundamento mais sólido que o mero romantismo --
um amor baseado em sentimentos, mas também em atitudes e ações!
• Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. Catito é autor de Como se Livrar de um Mau Casamento e Macho e Fêmea os Criou, entre outros.
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