Jorge Henrique Barro
Qual é a marca distintiva do cristão, aquele que deve andar como Cristo andou? A justiça (“ishrim” em hebraico). Não se pode pensar apenas em conduta moral-ética, fazendo referência a uma pessoa reta, honesta, sincera e justa. Para além disso, implica uma benevolência ativa. Esta evitará a destruição da cidade pelos ímpios. Falhar nisso é falhar na preservação da cidade (compare com Gênesis 18.23-33).
O abençoador, o benevolente ativo é um promotor de justiça -- da justiça que procede do Pai e seu reino. O cristão que não age assim não pode e não tem o direito de reclamar quando a injustiça dos ímpios bate a sua porta.
Pela bênção dos justos a cidade é exaltada, mas pela boca dos ímpios é destruída
Provérbios 11.11
Salomão
percebeu uma clara relação entre bênção, justiça e cidade. Retidão,
honestidade, sinceridade e justiça suscitam bênção e, como consequência,
a cidade é exaltada.
A bênção – “o que” da ação
As
definições de bênção consideram-na como ato ou ação de “benedicere” (do
latim). Os cristãos -- e como consequência a igreja -- estão na cidade
para abençoá-la. A ação contrária a essa, segundo Salomão, é destruição.
Os justos constroem-na, os injustos (ímpios) destroem-na; uns querem o
bem da cidade, outros buscam seu mal; uns querem vê-la exaltada, outros
não se importam se ela vier a ser destruída. Certamente Deus quer a
exaltação da cidade, mas isso depende dos seus habitantes,
principalmente da atitude do seu povo: “Assim diz o Senhor: ‘Esta cidade
infalivelmente será entregue nas mãos do exército do rei da Babilônia, e
este a tomará’” (Jr 38.3). Por que ela seria entregue? Porque o povo de
Deus queria ter um estilo de vida como o dos babilônicos. A
consequência: “Como está abandonada a famosa cidade, a cidade de meu
folguedo!” (Jr 49.25). O fim foi trágico: “A cidade ficou sitiada até ao
undécimo ano do rei Zedequias” (Jr 52:5). A tragédia estava anunciada.
Em vez de o povo de Deus agir como povo, agiu como os babilônicos. Se é
assim, que reine a Babilônia sobre eles e vivam debaixo do seu forte
braço impiedoso! Quem não vive para abençoar corre o risco de sofrer sob
a opressão daqueles que estão para amaldiçoar.
Os abençoadores -- “o quem” da ação
Os
cristãos deveriam ser reconhecidos como abençoadores da cidade. Esses
abençoadores são instrumentos de Deus para “benedicere” a cidade. Eles
são o quem da ação. Uma ação exige quem a faça. A ação é dependente do
agente. São esses agentes de Deus os promotores-agenciadores da bênção
para a cidade. Uma cidade jamais será abençoada pelo fato de haver nela
cristãos. Será abençoada quando esses cristãos agirem. Isso explica por
que muitas cidades possuem um número expressivo de cristãos, mas a
realidade de violência, injustiça, corrupção, criminalidade, maldade,
entre tantas outras, persiste. Como explicar uma presença maciça de
cristãos em uma cidade e ao mesmo tempo o aumento da maldade? Simples!
São cristãos que se confessam cristãos, mas agem como não cristãos. Eles
deveriam ser chamados ou considerados cristãos? João responde: “Desta
forma sabemos que estamos nele: aquele que afirma que permanece nele,
deve andar como ele andou” (1Jo 2.5b-6).
Qual é a marca distintiva do cristão, aquele que deve andar como Cristo andou? A justiça (“ishrim” em hebraico). Não se pode pensar apenas em conduta moral-ética, fazendo referência a uma pessoa reta, honesta, sincera e justa. Para além disso, implica uma benevolência ativa. Esta evitará a destruição da cidade pelos ímpios. Falhar nisso é falhar na preservação da cidade (compare com Gênesis 18.23-33).
O abençoador, o benevolente ativo é um promotor de justiça -- da justiça que procede do Pai e seu reino. O cristão que não age assim não pode e não tem o direito de reclamar quando a injustiça dos ímpios bate a sua porta.
A abençoada -- o “para quem” da ação
A
abençoada é a cidade e, consequentemente, seus habitantes. “Busquem a
prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em
favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”
(Jr 29.7). A palavra “prosperidade” na Nova Versão Internacional tem o
sentido de paz na Revista e Atualizada.
Trata-se
agora de uma pergunta missional: para que o cristão abençoa sua cidade
com retidão, honestidade, sinceridade, justiça? Para que por meio dessas
virtudes a cidade seja exaltada (“tholtz” em hebraico). São qualidades
de um herói: louvar, elogiar, glorificar, enobrecer e exaltar. A
qualidade da cidade também depende das ações desse cristão benevolente
ativo em seu favor. O ímpio não se importa com a destruição dela, com
sua moral, desgraça, má fama e sua imagem destruída. Por isso a boca
dele é maldita. Porém, a boca do cristão é para “benedicere”!
E
ao abençoar a cidade, com palavras e ações concretas, o cristão se
torna cada vez mais um cidadão consciente da sua dupla cidadania: a
celeste e a terrestre -- “exerçam a sua cidadania de maneira digna do
evangelho de Cristo” (Fp 1.27).
Este é um santo
propósito para viver: servir a cidade por meio da justiça como cristãos
comprometidos com a prosperidade integral, que é fruto dos valores do
reino. Ao sermos assim, daremos testemunho concreto que podemos ser uma
igreja para a cidade; demonstraremos o amor de Cristo; buscaremos suprir
as necessidades básicas e urgentes da nossa cidade; formaremos
discípulos comprometidos com o evangelho encarnado para transformar a
cidade; serviremos a cidade como oportunidade para compartilhar a vida
transformadora de Cristo.
Esta é a bênção que os
abençoadores oferecem para a abençoada! Chega de falar mal da nossa
cidade! Que o nosso falar seja em oração (orai pela cidade) e o nosso
agir, em transformação (busquem a paz).
• Jorge Henrique Barro é diretor da Faculdade Teológica Sul Americana e vice-presidente da Fraternidade Teológica Latino Americana (continental).
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