“Hoje ele é um voluntário do projeto de diaconia do pobre que ajuda
pobre”, conta o bispo Sebastião Armando Gameleira Soares, da Diocese
Anglicana do Recife, e que participou, em São Leopoldo, do encontro
internacional sobre Diaconia. “Essa é uma das coisas mais bonitas que
temos em nossa diocese”, comenta.
Na semana passada, o bispo recebeu o jovem Teógenes, um líder
católico romano do projeto em Caucaia, para motivar a pequena
congregação anglicana de Jaboatão, na Grande Recife, a adotar essa
prática.
A visita às pessoas nas suas casas é o eixo central do projeto. “De
acordo com a receptividade, os visitadores percebem as dores e os dons
dessas pessoas, que, às vezes, não sabem onde aplicá-los”, afirma o
bispo.
Em Caucaia, município da Região Metropolitana de Fortaleza com 350
mil habitantes, a equipe diretiva do projeto da diaconia sem dinheiro é
um exemplo de convivência ecumênica. Além de Teógenes, integra-a o bispo
mórmon da localidade, um casal católico, uma moça da Assembleia de Deus
e três anglicanos. O serviço diacônico que realizam não olha religião,
confissão, cor, raça, mas apenas o grau de necessidade dos motivadores.
Motivadoras? Sim, motivadoras são as pessoas selecionadas para
receberem a ajuda do grupo. Elas são assim chamadas porque motivam os
voluntários a se acercarem dessa família, cada qual contribuindo com os
dons disponíveis. “A assistência é imediata, mas também acontece o
resgate da cidadania”, assegura Gameleira.
Se a pessoa motivadora é uma cadeirante, o grupo trata de confrontar o
poder público para que a pessoa a ser ajudada tenha os seus direitos de
pessoa com deficiência garantidos. Se a família motivadora precisa de
uma cesta básica, os voluntários mobilizam colaboradores, que não estão
em contato direto com aquela gente, para que ajudem.
Teógenes intuiu a aplicação da “diaconia sem dinheiro”, tentou
introduzi-la na congregação apostólica romana local, mas não encontrou
muito espaço junto ao pároco, assim que buscou diálogo com o sacerdote
anglicano local. Desse contato foi nascendo a diaconia do pobre para com
o pobre.
Ao ser perguntado por que esse envolvimento tão intenso na diaconia,
Teógenes responde de pronto: “Ora, a gente só quer fazer o que Jesus
fazia”.
Publicado originalmente no site da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
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