Por isso, a dúvida como incompreensão – e não incredulidade - faz parte da caminhada da fé. O Deus Que Eu Não Entendo,
lançamento da Ultimato, expõe esta relação na mente e no testemunho de
Christopher J. H. Wright, um renomado teólogo que foi, por décadas,
companheiro de ministério de John Stott. O novo livro chega nesta semana
à editora. O autor afirma que “conhecer a Deus, amá-lo e confiar nele
de todo o coração, de toda a alma e de toda a força não é o mesmo que
entender Deus em todos os seus caminhos. (...) Existem áreas do mistério
em nossa fé cristã que estão além do mais acurado estudo e até dos mais
profundos exercícios espirituais”.
No entanto,
confessar dúvidas não é descartar certezas. Ninguém voa cortando suas
próprias asas. A dificuldade talvez seja discernir o que são asas e o
que são apenas acessórios de voo. Por isso, é tão importante voltar ao
essencial. É o que nos propõe John Stott em Por Que Sou Cristão, ao levantar sete razões pelas quais ele era cristão.
N. T. Wright também assumiu, em Simplesmente Cristão,
a “imensa tarefa” de “descrever a essência do cristianismo, tanto para
recomendá-lo aos de fora como para explicá-lo aos de dentro”. “É claro
que ser cristão no mundo de hoje é qualquer coisa, menos simples. Mas se
há um tempo em que é necessário dizer, do modo mais simples possível, o
que cada coisa significa, parece-me que é agora”, escreve Wright.
Nesta
caminhada de fé não estamos sozinhos. Contamos, entre outras, com o
Espírito Santo que “nos guia a toda verdade” (Jo 16.13), com a
comunidade que nos ajuda a discernir as coisas, com a sociedade e com a
Bíblia – como revelação de Deus para a humanidade. A respeito desta
última, vale a pena ler Por Que Confiar na Bíblia – respostas a 10 perguntas difíceis,
de autoria de Amy Orr-Ewing. Em meio ao bombardeio acadêmico, e ao que
ela chamou de “era da incerteza”, levanta respostas considerando
conceitos históricos, a singularidade e contemporaneidade da Bíblia, a
encarnação de Cristo e o conceito de verdade.
A
oração aflita do homem à afirmação de Jesus (“tudo é possível ao que
crê”) continua atual: “Eu creio! Ajuda na minha falta de fé!”.
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